Qual das alternativas a seguir apresenta, explicitamente, a busca d...
🏢 INSTITUTO AOCP🎯 EBSERH📚 Língua Portuguesa
#Análise Textual#Funções da Linguagem
Esta questão foi aplicada no ano de 2015 pela banca INSTITUTO AOCP no concurso para EBSERH. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Análise Textual, Funções da Linguagem.
Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.
Acabou a graça de dar presentes em situações de
comemoração e celebração, não é? Hoje, temos listas
para quase todas as ocasiões: casamento, chá de
cozinha e seus similares – e há similares espantosos,
como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de
bebê, e agora até para aniversário.
Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e
apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente,
a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem
sempre à sua disposição uma lista de pedidos de
presentes feita por ele, que pode crescer diariamente,
e que tanto pode ser informal quanto formal.
A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na
bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade de
sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças
que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona tanto
como lista de pedidos como também de “checklist"
porque, dessa maneira, o garoto controla o que já
recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas
são quase uma garantia de conseguir ter o pedido
atendido.
Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar
um presente para um conhecido, para um colega
de trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe
aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o
presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o
que tem relação com ela e seu modo de ser e de viver?
Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada
rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as listas
estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa
realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido!
Não é preciso mais o investimento pessoal do
pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater
perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha
feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do
orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa
só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro
do orçamento porque, para não transgredir a lista,
às vezes é preciso parcelar o presente em diversas
prestações...
E, assim que os convites chegam, acompanhados
sem discrição alguma das listas, é uma correria dos
convidados para efetuar sem demora sua compra. É
que os presentes menos custosos são os primeiros a
serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco mais do
que gostaria.
Se, por um lado, dar presentes deixou de dar
trabalho, por outro deixou também totalmente
excluído do ato de presentear o relacionamento entre
as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de
consumo, perda para as relações humanas afetivas.
Os presentes se tornaram impessoais, objetos
de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que
era doce no que já foi, num passado recente, uma
demonstração pessoal de carinho.
Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa
gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em
se expressar, apesar da vontade de querer que ele
passe despercebido, quando recebíamos um mimo?
Ou aquela frase transparente de criança, que nunca
deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso
acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação
mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da
lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito
por ter cumprido seu compromisso.
Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver
coragem, a possibilidade de transgredir essas tais
listas. Assim, é possível tornar a vida mais saborosa.