A qual autor(a) da literatura brasileira de fase nacional
se refere o excerto a seguir?
“Os heróis d’A Moreninha” são quatro estudantes de
medicina; as senhoras são filhas ou esposas de comerciantes.
N’O moço loiro, duas famílias esteiam a narrativa; a primeira,
modesta, de um funcionário algo ridículo, com uma mulher e uma
filha porfiando em brilhar na sociedade, em aparecer e dar festas.
Outra, de comerciantes opulentos e dignos, mas cheia de
mistérios e encrencas que dinamizam a narrativa toda, e à qual
pertencem o herói e a heroína. O vilão e o subvilão são
comerciante o primeiro, caixeiro o segundo. E assim vai tudo.
Alguns de seus romances patenteiam, mais que outros, esta
fidelidade ao sistema das posições e relações na sociedade do
tempo. Se em muitos deles tudo gira em torno do amor, não é
apenas porque o romancista leva em conta o público feminino, ou
porque o sexo constitua um fulcro na literatura. Analisando o tipo
de amor que descreve, veremos que na base das complicações
sentimentais – namoricos, faniquitos, intriguinhas, negaceios – há
uma infra-estrutura determinada pela posição da mulher, nessa
sociedade acanhada de comerciantes, funcionários e
fazendeiros, onde ela era um dos principais transmissores de
propriedade, um dos meios de obter fortuna ou qualificação. Daí
os combates que se travam ao seu redor e cuja verdadeira
natureza vem descrita em Rosa.”
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira – momentos decisivos. 6ª ed.
v. 2. Belo Horizonte: Itatiaia, 2000.