Leia o texto a seguir para responder à questão:
Se é verdade que o preconceito de grupo golpeia geralmente as minorias, há ao menos uma exceção que nos deve
fazer refletir. A série de preconceitos antifemininos dos homens não diz respeito a uma minoria: quanto ao número, as
mulheres são mais ou menos como os homens e não vivem
separadas em grupos minoritários. Entre homens e mulheres há desigualdades naturais que seria estupidez esquecer.
Mas é inegável que muitas das desigualdades entre a condição masculina e a feminina são de origem social, tanto que
as relações entre homem e mulher mudam segundo as diversas sociedades. A emancipação da mulher, a que assistimos
há anos, é uma emancipação que também deve avançar por
meio da crítica aos preconceitos, isto é, de verdadeiras atitudes mentais radicadas no costume, nas ideologias, na literatura, no modo de pensar das pessoas, tão radicadas que,
tendo sido perdida a noção da sua origem, continuam a ser
defendidas por pessoas que as consideram como juízos fundados em dados de fato.
Precisamente porque estes preconceitos interpostos entre o homem e a mulher dizem respeito à metade do gênero
humano e não apenas a pequenas minorias, é de considerar que o movimento pela emancipação das mulheres e pela
conquista, por elas, da paridade dos direitos e das condições
seja a maior (eu estaria até mesmo tentado a dizer a única)
revolução de nosso tempo.
(Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e
outros escritos morais, 1998. Adaptado)