Leia o último parágrafo do texto publicado em 2020 na versão
online do El País e intitulado:
Aborto, um sentimento de alívio,
Por Débora Diniz e Giselle Carino
Por que falamos em alegria como sentimento para o aborto
voluntário? Porque só uma mulher convicta de sua própria
existência e projeto de vida se move contra a cadeia e o inferno
para abortar em condições clandestinas na América Latina. O
aborto é uma necessidade de vida para as mulheres, por isso
quando uma mulher aborta ela se distancia das normas de
gênero como um destino para desafiá-la em uma de suas táticas
de controle do corpo das mulheres – a reprodução biológica –.
Arriscamos dizer que as mulheres que abortam não são levianas,
tampouco alienadas das normas sociais de gênero que insistem
em colonizar nossos sentimentos com culpa, vergonha ou
arrependimento. Ao contrário: as mulheres que abortam vivem a
experiência singular de estranhar o patriarcado, e deslocam a
maternidade do campo do destino da natureza para o da norma
social. Por isso, imaginamos essas mulheres com a alegria da
esperança e não sendo o aborto um trauma que seja também um
alívio.
(Debora Diniz é brasileira, antropóloga, pesquisadora da
Universidade de Brown. Giselle Carino é argentina, cientista
política, diretora da IPPF/WHR.)
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