Texto 15A2AAA
Dados compilados pela Comissão de Combate à
Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro mostram que mais de 70%
de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados entre
2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes
africanas. O tema ganhou as páginas dos jornais como no caso de
uma jovem atingida por uma pedra na cabeça em junho de 2015, na
Zona Norte do Rio de Janeiro, quando voltava para casa trajando
vestimentas religiosas candomblecistas. Também em 2015, no mês
de novembro, um terreiro de candomblé foi incendiado em Brasília.
Para especialistas, duas são as razões da hostilidade contra as
religiões de origem africana: por um lado, o racismo e a
discriminação que remontam à escravidão e que rotulam tais
religiões pelo simples fato de serem de origem africana, e, por outro
lado, a ação de alguns grupos religiosos que, nos últimos anos,
teriam se valido de mitos e preconceitos para insuflar a perseguição
a umbandistas e candomblecistas.
Internet: (com adaptações).
Texto 15A2BBB
Na escola, a ideologia racista se expressaria em diversos
níveis, que iriam desde a ausência da pluralidade cultural no
currículo até a manifestação de preconceito em razão do
desconhecimento de questões de ordem racial e da ridicularização
de identidades e estéticas diferentes das que foram estabelecidas
como ideais. Nesse ponto, a questão da religiosidade se faz
novamente presente, pois seu desconhecimento gera a sua ausência
como elemento importante da reconstrução da cosmovisão africana
no Brasil, elemento que uma educação étnico-racial almejaria
recuperar.
Raquel Bakke. Na escola com os orixás. São Paulo:
Universidade de São Paulo, 2011, p. 81 (com adaptações)