Longe de seus pequenos vilarejos, os imigrantes italianos, oriundos de diferentes províncias, nunca estiveram tão
próximos quanto em São Paulo. Embora sob o manto da recém-unificada Itália, eles não traziam ainda na alma o maior
elemento de coesão de um povo: uma matriz nacional comum. A unificação italiana era ainda um conceito abstrato,
que pouco significado tinha para a maioria da população, cuja
consciência de pertencer a um grupo não ia muito além dos
estreitos limites do burgo que habitavam. Em São Paulo partilhariam, talvez pela primeira vez, uma história em comum,
que seria elaborada coletivamente.
(Mirian Silva Rossi. Fronteiras da pátria:
dos campos sem vida aos campos de morte, 2018.)
O excerto aborda a condição dos imigrantes italianos em São
Paulo no início do século XX e atesta que