A teoria das vantagens comparativas, proposta por David
Ricardo, em 1817, é, ainda hoje, a principal base analítica
para a defesa do livre-comércio na economia global. No
entanto, como comenta Paul Krugman, no trecho seguinte, por causa de suas hipóteses irrealistas, o princípio ricardiano tem sido questionado na atualidade.
A defesa do comércio livre está, atualmente, mais em
dúvida do que em qualquer momento desde a publicação, em 1817, dos Princípios de Economia Política de
Ricardo. Este questionamento não decorre das pressões políticas por proteção, que triunfaram no passado,
sem abalar os fundamentos intelectuais da teoria das
vantagens comparativas. Pelo contrário, ele resulta das
mudanças que ocorreram recentemente na própria teoria do comércio internacional [...]. Os novos modelos de
comércio internacional não apenas deixam em dúvida
até que ponto o comércio real pode ser explicado por
vantagens comparativas, como também abrem a possibilidade de que a intervenção governamental, através
de restrições às importações, subsídios à exportação
e assim por diante, possa, em algumas circunstâncias,
ser utilizada em prol do interesse nacional.
KRUGMAN, P. R. Is free trade passé? Journal of Economic
Perspectives, v. 1, n. 2, 1987. p.131-132. Adaptado.
Em contraste com o que se observa no mundo real, a teoria das vantagens comparativas, na versão neoclássica
do princípio ricardiano, pressupõe a prevalência de