O paradigma emergente de avaliação qualitativa empresta elementos de várias vertentes de pensamento, constituindo-se numa formulação multidisciplinar. Os textos que a ele se referem, embora não se pretendam prescritivos, representam, no mais das vezes, afirmações de princípios genéricos acerca de orientações que se deseja sejam adotadas, sendo pouco freqüentes aqueles que refletem sobre ações desenvolvidas sob tais princípios ou orientações. A seleção de alguns excertos de artigos representativos da bibliografia pesquisada pode oferecer ideia mais precisa das formulações sobre o modelo. Dentre as afirmações abaixo, indique a alternativa INCORRETA:
A Maria Laura Franco (Pressupostos epistemológicos da avaliação educacional. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, ago. 1990, n° 74, p. 63-67. 1990) faz, por sua vez, uma caracterização sumária das matrizes epistemológicas dos modelos de ciência que privilegiam seja o objeto, seja o sujeito. Transpostos para a avaliação educacional, tais modelos teriam representado um avanço e nortearam a geração de paradigmas mais complexos e abrangentes. No entanto, como em ambos os casos, a visão do indivíduo se apresenta de forma abstrata, a autora dá ênfase à necessidade de que a avaliação educacional tenha como unidade de análise o vínculo indivíduo-sociedade numa dimensão histórica. Daí ser fundamental para a avaliação da aprendizagem, em todos os níveis, o entendimento da atividade humana, da ação prática dos homens, o que pressupõe a análise do motivo e da finalidade dessa ação.
B Demo (Qualidade da educação: Tentativa de definir conceitos e critérios de avaliação. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, jul./dez. 1990, n° 2, p.11-26.), após admitir que a quantidade e a qualidade constituem aspectos dissociáveis da educação, na tentativa de definir conceitos e critérios de avaliação da qualidade, distingue a qualidade formal (ligada à cidadania), da qualidade política (voltada ao domínio tecnológico), entendendo que uma não pode ser entendida sem a outra, mas que pode ser substituída pela outra. A qualidade política, referindo-se aos conteúdos históricos, é de teor prático e inevitavelmente ideológico e, portanto, de tessitura metodológica distinta daquela que a ciência clássica costuma abarcar em seus cânones.
C Luckesi (Avaliação educacional: Pressupostos conceituais. Tecnologia Educacional, Rio de Janeiro, maio/ago.vol. 25. 1996) é um autor muito citado entre os educadores, a propósito do tema. Procura contribuir para a elucidação dos pressupostos filosóficos e educacionais das práticas avaliativas no ensino básico, insistindo na necessidade de qualificar a avaliação, não em função dela mesma, mas do fim a que se destina, e mostrando que esta, ao conquistar ao longo dos tempos, espaço tão amplo nos processos de ensino, condicionou a prática pedagógica ao que ele chama “pedagogia do exame”. Discute ainda a relação entre planejamento, avaliação e projeto pedagógico da escola, ressaltando a dimensão política que possuem essas atividades e preconizando um trabalho de equipe em que todos decidem “o que” e “como” fazer para elaborar uma proposta coerente com as necessidades da clientela.
D Franco (Qualidade de ensino: Critérios e avaliação de seus indicadores. Ideias, São Paulo, 1994, n° 22, p. 81-87. 1994) aponta ainda para a complexidade do conceito de qualidade do ensino, considerando-o como um produto histórico e social que reflete um posicionamento político e ideológico orientado por diferentes expectativas, que incorporam demandas diversificadas e mutáveis ao longo do tempo. Ao discutir critérios de avaliação e indicadores de qualidade, questiona a validade daqueles que são pensados em função do mito da modernidade, que os elege, sobretudo pelas exigências da produção.