“Conseguimos compreender, portanto, porque o trabalhador foge do trabalho como de uma peste e o poeta nos canta:
‘trabalhar é minha sina, eu gosto mesmo é d’ocê’. Por isso, diante da bombástica afirmação sobre o ‘fim do trabalho’,
nós reagiríamos marcando uma festa para celebrar a emancipação. Mas as coisas não são bem assim.”
(Iasi, 2013, p. 56.)
Tendo como referência o debate apresentado pelo autor, assinale a afirmativa correta.
A Sob a forma capitalista, o limite da emancipação é a igualdade formal perante a lei e a liberdade constrangida pelo
Estado, isto é, podemos no máximo normatizar as relações entre o capital e trabalho, mas estamos impedidos de
tocar nas determinações profundas que dividem o gênero humano entre aqueles que se apropriam dos meios de
produção e aqueles que são condenados a vender sua força de trabalho, produzindo a riqueza que por poucos será
fruída.
B As pessoas, na atual divisão social do trabalho, diante da mercantilização total da vida, são obrigadas a vender sua
força de trabalho e a vendê-la quando consegue e aonde consegue. Estão, portanto, subordinadas a uma
escravizante divisão do trabalho. Só podemos falar em emancipação política na medida em que os produtores
livremente associados possam de fato escolher o ponto em que irão se inserir em uma divisão do trabalho, o que
pressupõe uma certa heterogeneidade das formas particulares que compõem o trabalho social total.
C A emancipação plenamente humana é o reino dos direitos: temos direito à educação, à saúde, à moradia, a um meio
ambiente saudável no trabalho. No entanto, como criaturas insaciáveis, os trabalhadores, além dos direitos,
gostariam muito de ter também educação, saúde, moradia e todas essas coisas.
D Substantivar os direitos, rechear de carne real a abstração da igualdade jurídica, na qual todos têm direito à
propriedade, mas pouquíssimos a têm de fato, pressupõe mais que um ato jurídico ou mesmo político; pressupõe
conservar as bases do trabalho alienado/estranhado, isto é, a propriedade privada e uma certa divisão social do
trabalho fundada na mercantilização da vida elevada à sua máxima potencia sob o capital.