Ar poluído afeta seu corpo e sua mente
Em algumas partes do mundo, a qualidade do ar
melhorou rapidamente com políticas destinadas a limitar
a poluição. Mas outros lugares correm o risco de perder
essa melhoria alcançada.
Nos Estados Unidos, mais de 25% da população está
exposta a ar considerado não saudável pela Agência de
Proteção Ambiental do país, segundo um relatório de
uma organização climática.
Estima-se que o número de pessoas expostas a dias não
saudáveis aumente em mais da metade até 2050. E os
piores dias de poluição do ar, os chamados dias
perigosos ou marrons, aumentarão em 27%.
Para contextualizar melhor esta situação, existe um tipo
de poluição do ar chamado PM2.5. Ele é composto de
material particulado que mede trinta vezes menos que a
espessura de um fio de cabelo humano.
Essas partículas minúsculas são formadas por uma
mistura de substâncias líquidas e sólidas. Sua
composição química é variável e inclui carbono, metais e
compostos orgânicos.
Esses grupos de poeira, fuligem e outras substâncias
suspensas no ar causam inflamações e elas geram
lesões neurais do cérebro.
Um estudo concluiu que 25% da poluição causada por
PM2.5 nos Estados Unidos vem da fumaça de incêndios
florestais. Este índice chegou à metade no oeste do país.
Em 2023, grandes partes dos Estados Unidos sofreram
queda significativa da visibilidade e da qualidade do ar,
quando a fumaça dos incêndios florestais ao norte da
fronteira com o Canadá se espalhou pelo continente.
As pessoas portadoras de condições respiratórias
preexistentes e os recém-nascidos com os pulmões em
desenvolvimento são os mais prejudicados pela fumaça
dos incêndios florestais.
Como as mudanças climáticas aumentam o risco de
incêndios florestais em todo o mundo, a qualidade do ar
piorará ainda mais. E, enquanto os incêndios florestais
se intensificam, a poluição afeta nossos corpos de
maneiras profundas e inesperadas.
Os riscos à saúde causados pela poluição do ar gerada
pelos incêndios florestais dependem do tipo de material
consumido pelo fogo.
Em 2020, na Sibéria, havia turfa e resina da floresta
boreal. O incêndio liberou um volume recorde de
poluição, incluindo altas quantidades de mercúrio.
Já se descobriu que a fumaça dos incêndios florestais é
prejudicial para certas células imunológicas dos pulmões.
Sua toxicidade é quatro vezes maior que outras fontes
de poluição.
À medida que a fumaça envelhece, a situação piora. Um
estudo demonstrou que a toxicidade da fumaça dobra
nas horas que se seguem à sua emissão, atingindo um
pico de quatro vezes a sua toxicidade inicial.
"Mesmo alguém que esteja longe de uma fonte de
incêndio tem sua saúde prejudicada pela inalação de
fumaça oxidada e altamente diluída", afirmou o químico
atmosférico Athanasios Nenes, do Instituto Federal de
Tecnologia de Lausanne, na Suíça.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8vn304r633o. adaptado.