"Se o homem no estado de natureza é tão livre,
conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua
própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém
sujeito, porque abrirá ele mão dessa liberdade, porque
abandonará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio
e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio
responder que, embora no estado de natureza tenha tal
direito, a fruição do mesmo é muito incerta e está
constantemente exposta à invasão de terceiros
porque, sendo todos reis tanto quanto ele, todo
homem igual a ele, e na maior parte pouco
observadores da equidade e da justiça, a fruição da
propriedade que possui nesse estado é muito insegura,
muito arriscada. Estas circunstâncias obrigam-no a
abandonar uma condição que, embora livre, está cheia
de temores e perigos constantes; e não é sem razão
que procura de boa vontade juntar-se em sociedade
com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se,
para a mútua conservação da vida, da propriedade e
dos bens a que chamo de ‘propriedade’”.
Locke.
Sobre o pensamento político de Locke e o texto
acima, seguem as seguintes afirmativas:
I- No estado de natureza, os homens usufruem
plenamente, e com absoluta segurança, os
direitos naturais.
II- O objetivo principal da união dos homens em
comunidade, colocando-se sob governo, é a
preservação da "propriedade".
III- No estado de natureza, falta uma lei estabelecida,
firmada, conhecida, recebida e aceita mediante
consentimento, como padrão do justo e injusto e
medida comum para resolver quaisquer
controvérsias entre os homens.
IV- Os homens entram em sociedade, abandonando a
igualdade, a liberdade e o poder executivo que
tinham no estado de natureza, apenas com a
intenção de melhor preservar a propriedade.
V- No estado de natureza, há um juiz conhecido e
imparcial para resolver quaisquer controvérsias
entre os homens, de acordo com a lei
estabelecida.
Das afirmativas feitas acima: