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A ORIGEM DA ASMA
Por CAMPOS (trecho de artigo adaptado).
A asma é o resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais. A expressão aumentada de genes inflamatórios define as alterações celulares e estruturais do aparelho respiratório enquanto o meio ambiente modula os diferentes fenótipos asmáticos. Exposições ambientais e infecções específicas atuando sobre um genoma predisposto leva a uma propensão sistêmica para respostas celulares do tipo Th2.
Tal condição, associada aos eventos imunes locais, gera uma inflamação alérgica das vias aéreas. A interação entre a rede imune no pulmão e as células residentes das vias aéreas, produtoras-chave de citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento, produz uma doença respiratória inflamatória crônica chamada asma. Nesse cenário, os corticosteroides inalatórios são considerados o pilar terapêutico do manejo da asma crônica persistente.
Os corticosteroides suprimem a inflamação crônica em asmáticos revertendo a acetilação da histona promovida pelos genes inflamatórios. Na medida em que os mecanismos moleculares de ação dos corticosteroides vão sendo elucidados, novas informações sobre a patogenia da asma ficam disponíveis, ajudando a definir o manejo ideal da asma.
Há indícios de que a asma comece a ser definida ainda na fase intrauterina. Segundo estudos de coorte, a credibilidade para a asma é, em grande parte, determinada durante o desenvolvimento fetal e nos primeiros três a cinco anos de vida. Fatores genéticos e ambientais operam num momento de desenvolvimento/crescimento pulmonar, definindo a estrutura e a função das vias aéreas. Alterações durante esse período crítico tornam as vias aéreas mais susceptíveis a poluentes ambientais e as predispõem à sensibilização com aeroalérgenos. Aparentemente, os genes relacionados à atopia e à asma não são ativados na ausência de fatores ambientais e de exposições específicas determinados alérgenos.
Foi demonstrado que o processo de sensibilização do linfócito T, com consequente regulação das respostas proliferativas específicas para antígenos e geração de citocinas, ocorre no útero e que as células T antígeno-específicas circulantes desaparecem nos órgãos que irão manifestar o fenótipo alérgico entre os seis meses e um ano de idade.
A demonstração dos mecanismos imunes envolvidos na sensibilização do linfócito T antes do nascimento indica que antígenos ou fragmentos antigênicos tenham atravessado a placenta e feito contato com células imunes fetais. É nessa linha de raciocínio que se apoiam as medidas preventivas da asma durante a gravidez. Dentre elas, aquela que propõe reduzir a exposição ambiental.
(CAMPOS, Hisbello S. Asma: suas origens, seus mecanismos inflamatórios e o papel do corticosteroide Asthma: its origins, inflammatory mechanisms and the role of the corticosteroid. Rev. Bras. Pneumol. Sanit, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 47-60, dez. 2007 .)
Leia o texto 'A ORIGEM DA ASMA' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:
I. As células T antígeno-específicas circulantes desaparecem nos órgãos que irão manifestar o fenótipo alérgico entre os seis meses e um ano de idade, conforme se pode inferir a partir dos dados do texto.
II. O meio ambiente modula os diferentes genótipos asmáticos, especialmente quando o paciente possui uma mutação no gene c3H5 ou quando existem casos de asma entre mulheres da família, conforme mencionado pelo texto.
Marque a alternativa CORRETA: