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UMA CARTA PARA FREUD
Caro Freud,
Resolvi lhe escrever uma carta porque o senhor anda muito ocupado e eu demoro demais para me fazer compreender verbalmente. Aqui, nesta carta, acho que consigo ser franco e direto. E franqueza é algo que me escapa pelos dedos, especialmente quando estou diante de alguém tão mal encarado como o senhor (sem ofensas, por favor). Mas, se pelo menos o senhor desse um sorrisinho de vez em quando, ajudaria muito nossas consultas. Mas enfim...
Hoje resolvi aplicar alguns de seus conselhos. E outros do Facebook. A propósito, já lhe contei que meu mural parece um livro de autoajuda? Desse jeito, acho que o senhor vai precisar mudar de profissão.
(...)
O senhor disse que o segredo do sucesso é fazer as mulheres rirem. Mas rir de mim também conta? E aquela história de conversar com a garota sobre assuntos que a interessam? Conheci uma garota e já fui puxando assunto sobre rímel, blush, cílios postiços e batom. Não sei não Freud, mas tem certeza de que esse conselho funciona? A garota soltou um "ihhh" e saiu de perto. Sabe esses "ihhs" que podem significar um milhão de coisas e todas elas péssimas para a nossa reputação?
Ah, meu amigo Sigmund. A vida não é nada fácil. Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender. Talvez o senhor devesse parar um pouco com esses assuntos melancólicos e se dedicar um tempo a escrever alguns textos humorísticos. Além disso, precisamos conversar mais. Porém, não dentro daquele seu consultório mórbido. Podíamos sair para tomar uma cerveja. Ver luzes, ouvir pessoas, essas coisas. Acho que lhe faria bem, também.
Quando quiser, só me avisar. Mas o senhor paga. E não vem com história de que está sem dinheiro, porque aí quem vai dizer "ihhh" sou eu.
JULIANO MARTINZ.https://corrosiva.com.br/cronicas-engracadas/uma-carta-para-freud/
Quanto à colocação pronominal em: "A propósito, já lhe contei que meu mural parece um livro de autoajuda?" pode-se afirmar que: