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"Rapaz... você me ligando como um telefonista de si mesmo? Achei que você tinha me esquecido' Quando me bate a confusão mental, eu ligo para o Nelson Rodrigues. Ele me atende lá do céu de papelão azul, com estrelas de purpurina e nuvens de algodão, como um cenário de teatro de revista. — Rapaz... você me ligando como um telefonista de si mesmo? Achei que você tinha me esquecido. — Você está sempre presente... Nelson. Mas é que entrei em parafuso com a história humana... — Para com isso, rapaz; a História não existe, ela não flui... A História está sempre recomeçando. Há um momento de esperança... depois tudo se degrada em dramas e chega então a tragédia... Depois nos acostumamos à desgraça e aí vem nova esperança... Esse é o ciclo. Não existe vida sem tragédia. A História com H maiúsculo nunca existiu. Ela foi uma invenção daquele alemão... o tal do Hegel... que achava que o mundo marchava para uma grande realização do espírito e, de repente, descobre que meia dúzia de malucos cheirando a banha de camelo estão transformando a vida humana num sinistro pesadelo humorístico. Aliás, ele está sentado numa nuvem aqui perto, chorando lágrimas de esguicho, exalando uma cava depressão [...]. O mundo nunca foi feliz; esse negócio de paz e felicidade global é invenção do comércio americano... Os terroristas jogaram a gente de volta para dentro da tal "história". Isso tinha de acontecer... Como eles iam suportar aquela "paz americana", com tudo arrumadinho como um supermercado?"
A palavra “mesmo” presente na linha 1, de acordo com a classe das palavras é: