///
E havia uma gramática que dizia assim: "Substantivo (concreto) é tudo quanto indica Pessoa, animal ou coisa: João, sabiá, caneta". Eu gosto é das coisas. As coisas, sim! As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso. As coisas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém. Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo, nem sempre, pode estar choco: é inquietante.) As coisas vivem metidas com as suas coisas. E não exigem nada. Apenas que não as tirem do lugar onde estão. E João pode, neste mesmo instante, vir bater à nossa porta. Para quê? Não importa: João vem! E há-de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão, Amigo ou adverso... João só será definitivo Quando esticar a canela. Morre, João. Mas o bom, mesmo, são os adjetivos, Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto. Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso. Sonoro. Lento. Eu sonho Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais. Ainda mais: Eu sonho com um poema Cujas palavras sumarentas escorram Como a polpa de um fruto maduro em tua boca, Um poema que te mate de amor.
Sobre a frase que dá título ao texto: "De gramática e de linguagem na trilha poética", marque a alternativa com análise incorreta.