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O avanço do zika vírus no Brasil tem motivado o debate para a proposição de legislação legitimando o aborto de fetos diagnosticados com microcefalia. Este debate remete ao que se chama de “aborto eugênico”, ou seja, não viabilizar a vida de fetos identificados como “anômalos”, induzindo a uma interrupção de gravidez. O tema merece reflexão e salientamos que há uma contradição na sociedade a respeito deste assunto: por um lado há pressões para que pessoas com deficiência sejam amparadas pela legislação governamental; por outro lado, há pressões para que fetos com deficiência sejam abortados. Podemos ter visões diferentes de mundo, mas a ética requer coerência e razoabilidade. Pode parecer confusa a fronteira entre eugenia e preocupação com a saúde nas técnicas de medicina embrionária e fetal, mas nos parece que a fronteira pode se definir entre duas posturas básicas: uma é realizar testes diagnósticos em embriões e fetos com o objetivo de prever doenças e promover seu tratamento; a outra é realizar testes em embriões e fetos para que, se estiverem doentes, ou com características indesejadas, eles sejam eliminados. Desta forma, compreendemos que a inclusão e o reconhecimento da dignidade da pessoa com deficiência passam por uma estrutura ampla e complexa de representação social. Nesta estrutura, o discurso ideológico eugênico, legitimado como “promoção da saúde” para cumprir seus objetivos e fundamentar seus pressupostos, constitui um elemento de conflito e retrocesso. Isso porque vai contra a promoção da valorização da diversidade humana, cria critérios de qualificação de “superiores” e “indesejáveis” e ainda é arrogante e injusto, principalmente para com aqueles que lutam pela inclusão e defesa da dignidade das pessoas com deficiência. (Adaptado de Gazeta do Povo, 17/02/2016)
Em relação à expressão “porque” (linha 27), assinale a alternativa correta: