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Portal Meio Aéreo entrevista José Sérgio Osse, jornalista que analisa o tema de privatizações dos aeroportos
PMA: Em relação aos aeroportos, como acha que estaremos de estrutura aeroportuária até a Copa de 2014?
JSO: É necessário investir rápida e intensamente em aeroportos no país para que seja possível dar conta do aumento no tráfego previsto não apenas para a Copa, mas também para o mercado como um todo no país nesses próximos anos. O terminal de São Paulo, não é segredo para ninguém, está afogado. A operação em Congonhas é complicada, assim como é em Brasília, Guarulhos e no Santos Dumont. Em São Paulo, é necessário pelo menos mais um aeroporto de grande porte, assim como é preciso retirar as operações de Congonhas e investir na ampliação de Viracopos. Em Brasília, é preciso expandir o aeroporto que, hoje, parece um terminal de uma cidade pequena que o de uma capital, em termos de capacidade. No Rio, é preciso utilizar melhor o aeroporto do Galeão e reduzir as operações no Santos Dumont, pelos mesmos motivos de segurança de Congonhas.
PMA: O que pensa sobre a privatização dos aeroportos no país?
JSO: Esse é um assunto controverso que, ainda assim, deve ser explorado de forma fria e não-ideológica. Minha opinião pessoal é favorável à privatização, desde que se estabeleçam e sejam seguidas certas regras fundamentais para garantir que o serviço público de transporte aéreo esteja sendo prestado com qualidade e que não haja abusos da parte da iniciativa privada. [...] Note que não falo em privatização de aeroportos, esse é um equívoco técnico, embora o conceito tenha sido disseminado pela mídia. Na verdade, a privatização ocorre quando se vende algo público a uma instituição privada. No caso dos aeroportos, assim como nas estradas, o que ocorre é uma concessão – a empresa não se torna "dona" do aeroporto, mas compra o direito de explorá-lo por um tempo pré-determinado, seguindo certas regras e normas, ficando com o ônus dos investimentos e, caso seja bem sucedida, com o lucro da operação. Como no caso das estradas, haverá um período de vigência para a concessão, ao fim do qual, há novo leilão e, assim, pode haver uma reciclagem na própria administração do aeroporto – embora a concessionária possa também voltar a obter a concessão.
PMA: Como economista/empresário, se tivesse que investir em um aeroporto no Brasil, em qual investiria? Por quê? Será realmente um bom negócio?
JSO: Obviamente o filão do mercado são os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, os mais movimentados do país. Bons produtos, do ponto de vista de um empresário, são também os aeroportos do Galeão (que já está em processo de concessão), Santos Dumont e Brasília. O de Viracopos, porém, é um dos que apresenta um potencial futuro muito promissor, embora dependa de investimentos que não se restringem àqueles que podem ser feitos pelo eventual concessionário.
Em Congonhas, talvez não investisse meu dinheiro por conta de suas características operacionais e de segurança complicadas, que poderiam levar a intervenções mais pesadas que o normal, por parte do governo, dependendo das circunstâncias. [...] Qualquer um desses exemplos pode, sim, ser um ótimo negócio, como também pode ser um fracasso retumbante. Tudo depende do tipo de gestão do administrador e de seu plano estratégico. Querer construir um aeroporto como o de Heathrow (Londres) em Belém não faria o menor sentido econômico. O projeto para o aeroporto em concessão tem que levar em consideração a perspectiva de aumento de tráfego, de circulação e de demanda. Ajustando a isso os investimentos necessários para uma operação eficiente e ofertando serviços de qualidade, não há por que não colher frutos satisfatórios.
Assinale a alternativa correta.