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No meio dos galhos de uma árvore bem alta um galo estava empoleirado e cantava a todo o volume. Sua voz esganiçada ecoava na floresta. Ouvindo aquele som tão conhecido, uma raposa que estava caçando se aproximou da árvore. Ao ver o galo lá no alto, a raposa começou a imaginar algum jeito de fazer o outro descer. Com a voz mais boazinha do mundo, cumprimentou o galo dizendo: ─ O meu querido primo, por acaso você ficou sabendo da proclamação de paz e harmonia universal entre todos os tipos de bichos da terra, da água e do ar? Acabou essa história de ficar tentando agarrar os outros para comê-los. Agora vai ser tudo na base do amor e da amizade. Desça para a gente conversar com calma sobre as grandes novidades!
O galo, que sabia que não dava para acreditar em nada do que a raposa dizia, fingiu que estava vendo uma coisa lá longe. Curiosa, a raposa quis saber o que ele estava olhando com ar tão preocupado.
─ Bem ─ disse o galo ─, acho que estou vendo uma matilha de cães ali adiante.
─ Nesse caso, é melhor eu ir embora ─ disse a raposa.
─ O que é isso, prima? ─ disse o galo. ─ Por favor, não vá ainda! Já estou descendo! Não vá me dizer que está com medo dos cachorros nesses tempos de paz!?
─ Não, não é medo ─ disse a raposa ─ mas... e se eles ainda não estiverem sabendo da proclamação?
O Galo e a raposa. In: Fábulas de Esopo. 1.ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 22.
Assinale a forma verbal que expressa dúvida.