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Verde-paris: o pigmento do sÈc. 19 que comeÁou como moda e virou inseticida
Em 2 de abril de 1894, Jordan foi buscar um balde d’água no poço da pensão em que morava em Buena Vista, uma cidadezinha de 1,2 mil habitantes no estado de Wisconsin, nos EUA. No fundo do recipiente, percebeu uma borra esverdeada suspeita. Calhou que, no dia anterior, um criminoso havia despejado um saco de 1kg de verde-paris na ·gua – o que explicava o mal-estar repentino que havia acometido os moradores do casar„o no dia anterior.
O verde-paris, ou verde de Schweinfurt, foi inventado em 1814 na Alemanha pelos fabricantes de tintas Wilhelm Sattler e Friedrich Russ, e comeÁou sua trajetÛria como uma inovaÁ„o promissora na ind˙stria. A dupla de inventores buscava um verde mais est·vel do que o pigmento mais usado atÈ ent„o – o chamado verde de Scheele –, e encontrou um composto quÌmico inorg‚nico que rapidamente se tornou popular por sua cor intensa e relativa durabilidade.
O verde-paris virou febre: foi amplamente utilizado em pinturas, encadernaÁ„o de livros e papÈis de parede. Artistas famosos do sÈculo 19, como Claude Monet, Vincent van Gogh e Paul Gauguin ficaram encantados com a cor – que era difÌcil de se replicar misturando outros pigmentos. Livros com capas e lombadas decoradas com o pigmento tornaram-se populares no Ocidente.
A lua de mel n„o durou muito, porÈm. O acetoarsenito de cobre, como o nome j· diz, leva arsÍnico na receita, que o torna tÛxico. O nome “verde-paris” não se refere à presença da cor nas paredes e pÙsteres da capital francesa, e sim ao fato de que ele passou a ser usado como veneno de rato nos esgotos da cidade luz.
Mais tarde, descobriu-se que o pÛ tambÈm era um poderoso inseticida, que foi usado para controlar pragas agrÌcolas como o besouro da batata e o bichoda-seda. O pigmento chegou a ser lanÁado de aviıes durante a 2° Guerra Mundial para matar mosquitos e, assim, combater a mal·ria na It·lia.
Ao longo do sÈculo 19, a consciÍncia crescente sobre a toxicidade do arsÍnico – famÌlias inteiras acabaram mortas por papÈis de parede que continham verde-paris e outros pigmentos com esse elemento – levou a uma queda progressiva no uso de corantes desse tipo, que foram sendo substituÌdos por alternativas mais seguras.
Em fevereiro de 2024, bibliotecas na Alemanha comeÁaram a restringir o acesso a livros com capas verde-paris, monitorando o risco de envenenamento de cada exemplar. Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos EUA, tambÈm criaram um projeto para identificar e isolar esses livros em bibliotecas ao redor do globo (atÈ maio de 2024, haviam sido identificados 313 volumes).
MOURÃO, M. Verde-paris: o pigmento do sÈc. 19 que comeÁou como moda e virou inseticida. Revista Superinteressante. (Adaptado). DisponÌvel em .
Em “A dupla de inventores buscava um verde mais est·vel do que o pigmento mais usado atÈ então”, a palavra “até” È um(a):