///
Mort. Ed Mort. Detetive Particular. Era o que estava escrito na plaqueta, na porta deste cubículo que alugo numa galeria de Copacabana. Entre uma escola de cabeleireiros e uma loja de carimbos. Mas roubaram a porta. A galeria é assim. A polícia só entra aqui com proteção policial. Barra. Uma vez devoraram um fiscal da Sunab. Mas desconfio que quem roubou minha porta foi o proprietário. Ele ameaçou retomar o imóvel por falta de pagamento. Talvez esteja retomando aos poucos. Só porque estamos em maio e ainda não paguei janeiro. De 70, 71, por aí. Mandei ele cobrar aluguel das baratas. Ele fez que não ouviu, mas as baratas ficaram indignadas. Outro dia tirei os sapatos para trocar as meias de pé — assim elas gastam parelho — e quando vi um dos sapatos estava saindo pela porta. Uma falange de baratas. Tranquei meus objetos de valor: as duas Bic e o telefone, que é mudo mas é meu, na gaveta da mesa. Roubaram a mesa. Mort. Ed Mort. Estava na plaqueta. Quem a encontrar, pode ficar com a porta.
A palavra “polícia”, que ocorre no texto, é uma proparoxítona aparente, assim como: