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Segui viagem. Passei pela usina atômica de Angra. Me lembrei dos pacifistas fazendo manifestações, passeatas, correntes humanas. Especialistas falando dos perigos da radiação. O medo de uma guerra nuclear. No entanto, a história foi outra. Quem diria... Fim de tarde. Entrei no Rio de Janeiro pela Estrada da Barra. Na altura de Jacarepaguá caiu um forte temporal. Ficava difícil enxergar a cidade com aquela água toda. Silhuetas de arranha-céus pareciam fantasmas gigantes. Dirigia com cuidado e apreensivo: não conseguia distinguir um carro de uma casa. Estava nervoso. Um pouco nervoso. Normal. Segui por um elevado incrustado numa montanha de pedra. Um viaduto cartão-postal. Desemboquei numa praia pequena, Cenoura, Pepino, um nome desses. Outro cartão-postal. Subi a Avenida Niemeyer até chegar às praias do Leblon e Ipanema. Mais cartões-postais. Tive a sensação de estar entrando no Correio.
No trecho “Silhuetas de arranha-céus pareciam fantasmas gigantes” (parágrafo 1, linha 7), o autor utiliza um recurso expressivo para intensificar a impressão causada pela chuva forte. Esse recurso é denominado: