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No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça dos seus cinco anos. Seus cabelos castanhos – a fita azul – o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco... Depois um instante de seriedade; sem dúvida minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade. Rita ouvindo música; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele seu jeito de amar – sério, quieto, devagar. Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra "cica", e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o córrego; e a nuvem tangida pela viração. Minha filha Rita em meu sonho me sorria – com pena deste pai, que nunca a teve.
O uso da expressão "olhos de água" (l. 4) permite afirmar que Rita tinha olhos: