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Quais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm mais futuro? Nas vantagens do Brasil, mencionam-se a nossa tolerância e o nosso pacifismo, bem como a capacidade de lidar com a diversidade e evitar confrontações brutais. Tal argumento traz a inevitável lembrança do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Hollanda — de que muitos falam, alguns discordam e poucos leram. Não me atrevo a passar a limpo tal encrenca. Mas o homem cordial pode inspirar um passeio pela história. Comparativamente, tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (exceto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Dos piores episódios, sobressaem a Guerra do Paraguai e a de Canudos. Mas, em ambos os casos, o governo foi tragado passivamente, não tendo alternativa senão salvar seu território.
Os Estados Unidos enfrentaram uma guerra sangrenta para alcançar sua independência. A nossa foi assunto de família, resolvido com elegância. A Revolução Francesa abalou os alicerces da nação, dizimou a aristocracia e, por décadas, deu emprego aos operadores de guilhotinas. Nossa república é fruto de uma quartelada. Nos EUA, a liberação dos escravos precipitou uma das guerras civis mais brutais da história. Nela perderam a vida 620 000 soldados (três vezes o Exército brasileiro de hoje). No Brasil, a escravidão acabou, com uma penada, quando já estava moribunda. Nunca tivemos um presidente assassinado. Que lição de civismo para os Estados Unidos!
Homem cordial? Sociedade cordial? Alguma coisa diferencia a nossa história, poupada dos cataclismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. Louvemos os deuses. Mas há o reverso da medalha.
O Estado brasileiro não precisou tomar decisões cruéis, de vida ou de morte ou diante de invasores mais fortes.
Quem sabe, por falta de hecatombes, a história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Em situações em que não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação.
Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu por meio século com a inflação. Deputados não ousam punir colegas delinqüentes. Não fazemos as reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru e Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China.
Será que é esse o preço de uma história mais plácida, que exigiu menos decisões dramáticas dos grandes atores? Será que, por não havermos passado por situações de vida e morte, não aprendemos a tomar decisões penosas? Nosso homem cordial prefere conviver com os problemas a enfrentá-los, quando as soluções são conflitantes?
“Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China.” (L.27) — dentre as frases abaixo, aquela que contraria a norma culta, quanto à regência, é: