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O FANTASMA E A LÂMPADA
Lá pelos lados de Pocinhos, há muitos e muitos anos, havia uma jovem de belos cabelos loiros e de olhos profundamente azuis. Além de linda, era riquíssima. Uma princesa de contos de fada que podia aspirar ao casamento mais vantajoso da região. Certo dia seu coração bateu acelerado ao conhecer um garboso cavalheiro. Garboso, gentil, instruído, porém... pobre.
Indiferentes ao empecilho, os dois se apaixonaram perdidamente. Sabedor desse sentimento tão arrebatador, o pai da jovem indignou-se. Aos gritos, proibiu a filha de se aproximar mais uma vez sequer do desditoso cavalheiro.
Ela era menor. Por isso a jovem, embora desesperada, não teve outro recurso senão obedecer.
Surgiram muitos candidatos nos anos que seguiram. Ela recusou-os obstinadamente.
Um dia, atingiu a maioridade. De imediato, reatou o namoro interrompido e, não querendo ser perseguida em casa, buscou a proteção da madrinha, indo morar com ela.
Viveu, então, um noivado feliz e marcou a data do casamento.
Alegre, sonhando um venturoso futuro, colocou seu lindo vestido de noiva e encaminhou-se para a Igreja, onde, indócil, aguardava o amoroso pretendente.
Ia cruzar o umbral do templo quando foi atingida mortalmente por um tiro desfechado pelo pai, que, oculto, atrás de uma árvore, aguardava sua chegada.
Cometido o crime, o pai assassino fugiu sem que ninguém conseguisse localizá-lo.
Dessa data em diante, todas as sextas-feiras, passou a aparecer tarde da noite, vagando pelo bosque, com uma lâmpada na mão, o fantasma da vítima envergando o traje nupcial.
Como era preciso acalmar a dor da infeliz apaixonada, em sua intenção, foi construída uma Capela que o povo consagrou a Nossa Senhora da Luz, por causa da lâmpada que, semanalmente, aparecia nas mãos do fantasma.
O termo assinalado no período “Uma princesa de contos de fada que podia aspirar ao casamento mais vantajoso da região” é um pronome relativo, do mesmo modo que a palavra sublinhada em :