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O sabiá sempre foi o pássaro escolhido por poetas e compositores brasileiros para representar o país. Já ganhou versos de alguns dos maiores artistas nacionais: de Gonçalves Dias, em sua “Canção do exílio”, a Tom Jobim e Chico Buarque, em “Sabiá”, passando por Luiz Gonzaga, na canção também chamada “Sabiá”. Tamanho currículo capacitou o passarinho de peito alaranjado a ser considerado a ave nacional do Brasil, desbancando uma concorrente de peso: a ararajuba, com suas vistosas penas verdes e amarelas.
Um decreto assinado pelo Presidente da República confirmou que o Dia da Ave é 5 de outubro e informou que “o centro de interesse para as festividades desse dia será o sabiá, como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerado popularmente Ave Nacional do Brasil.”
– A ave nacional de um país não pode ser escolhida em razão da cor da bandeira – afirma o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, presidente da ONG Associação de Preservação da Vida Selvagem e um dos maiores cabos eleitorais do passarinho. – Ela representa o folclore, a música, a poesia, a alma do povo. E não existe qualquer música com ararajuba, poesia alguma.
Dalgas Frisch lembra ainda que, se a ararajuba fosse indicada ave nacional, correria o risco de ser extinta:
– Uma ararajuba vale hoje cerca de US$ 5 mil entre os traficantes de animais. Se fosse ave nacional, passaria a valer uns US$ 50 mil. Acabaria sendo extinta e não representaria o espírito poético e folclórico da nação.
O Brasil, com 1.667 espécies de aves, era um dos poucos países a não ter ave nacional. A águia de cabeça branca, nos Estados Unidos, simboliza a união de todos os estados. Já o robim, na Grã-Bretanha, foi escolhido por ter inspirado William Shakespeare. Na Argentina, a ave nacional é o hornero (joão-de-barro), que representa o gaúcho dos pampas.
A campanha de Frisch para que o sabiá se tornasse ave nacional tem mais de 35 anos. Remonta ao tempo em que o então presidente Costa e Silva assinou um decreto criando o Dia da Ave.
– Foram anos de luta, mas ganhamos a batalha e ainda salvamos a ararajuba – comemora.
Aponte a opção em que o pronome qualquer está sendo usado da mesma forma como em “E não existe qualquer música com ararajuba,” (l. 22-23).