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Devo avisar que detesto saudosismos, do tipo “No meu tempo era tudo melhor”. Primeiro, porque quase sempre é engano: antigamente as coisas eram, em vários aspectos, bem piores. Não havia ar-condicionado, nem penicilina, nem avião, nem computador, nem a possibilidade de discutir abertamente assuntos graves, nem terapia para endireitar a cabeça quando ela entorta demais. A verdade era escondida debaixo do tapete, as relações humanas debaixo dos panos, e a sem-gracice devia ser bastante grande... Não havia um milhão de coisas que facilitam, ampliam, iluminam nossa vida.
Também não havia tanta violência, concordo: ou, antes, havia outro tipo e outra dose de violência. Guerra? Sim, ela ocorria mais ou menos constantemente, e bastante cruel. Nas cruzadas a carnificina era, como a Inquisição, em nome de Deus.
Relatos históricos são arrepiantes. E na guerra não se apertava um botão lançando bomba: o inimigo era decapitado ou estripado, cara a cara. A média de idade das pessoas (falo das que viviam acima da miséria absoluta, mais absoluta que a nossa) era de 20 e poucos anos: morriam cedo, desdentadas, podres, malcheirosas. Tinha-se quinze filhos para que sobrevivessem cinco no meio da imundície e da ignorância.
Seja como for, não sou saudosista. Também acho esquisito falar “no meu tempo”, porque nosso tempo deve ser sempre hoje. Somos tão despossuídos, tão fixados no mito da eterna juventude que depois dos 30 nem o tempo é mais nosso, somos exilados da própria vida?
Mas algumas coisas atuais eu confesso contemplar com grande susto, e não é só corrupção, confusão, violência e drogas, ou falta de vergonha. Se, conforme alguns filósofos, a capacidade de espanto é essencial, estou bem, aliás. Porque, por mais que se viva, cada dia descubro novidades: deliciosas ou assustadoras.
Observe: O tempo _____ vivemos pode ser o melhor de nossas vidas.
Os recursos _____ a medicina hoje dispõe são imensos.
A opção que completa corretamente as frases, de acordo com a norma culta da língua, é: