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Diálogo entre dois mundos
Nossa medicina, cada vez mais dependente da tecnologia e dividida em especialidades, vê a doença como um fato apenas biológico, que acontece em um corpo também dividido. Ao contrário, para os povos indígenas a origem da doença pode estar fora do corpo, ligada a forças invisíveis, humanas ou da natureza. Assim, as práticas de cura devem dar conta dos problemas físicos e também espirituais.
No Parque Indígena do Xingu, há quase 50 anos, médicos e pajés vêm conciliando essas duas visões do corpo humano. Desde que começaram a prestar assistência à saúde dos índios do parque, em 1965, os médicos da Universidade Federal de São Paulo construíram um convívio de respeito às práticas tradicionais de cura dos pajés, rezadores e raizeiros. O resultado dessa colaboração pode ser medido por bons dados de saúde que atestam o aumento da população das aldeias e o controle das doenças.
O diagnóstico e o tratamento das doenças são sempre discutidos entre o médico e o pajé, resultando daí uma atitude mais harmoniosa. O médico pode, por exemplo, instalar o soro no doente em sua rede, na maloca mesmo, com uma lanterna, quando o pajé e a família se recusam a levá-lo ao posto de saúde ou hospital. O pajé pode, também, mudar radicalmente de atitude e, nos casos críticos, até acompanhar o doente ao hospital, na capital paulista.
No trecho do Texto III “o diagnóstico e o tratamento das doenças são sempre discutidos entre o médico e o pajé” (ℓ. 19-20), a palavra destacada está no masculino plural para concordar com “o diagnóstico e o tratamento”. Essa palavra ficaria no feminino plural (discutidas) para concordar com