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Nas noites de minha meninice existe um grande candeeiro amigo, que sobre a vasta mesa de jantar ilumina o meu serão antigo. As doces sombras dos meus se projetavam na parede branquinha do salão. O primeiro cinema que eu conheci foram essas sombras de carvão. À procura do velho candeeiro vinham asas da mata se queimar; vinham de longe insetos viageiros, borboletas de forma singular. O candeeiro era a lanterna mágica, que me fazia na parede branca o homem grande que eu queria ser e de que sou uma sombra, apenas uma sombra. A ventania às vezes surpreendia as janelas abertas do meu lar, e então as doces sombras se moviam, trêmulas, trêmulas a bailar. Quem é lá? perguntavam. - É a ventania que lá forte está. E com o vento, como que entravam, e se espalhavam pelos vãos da sala, a mãe-preta, o pai joão, toda a senzala, todas as sombras que não vivem mais.
Jorge de Lima
Na 1ª estrofe, o sujeito de “ilumina” é