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Uma mulher de 42 anos trabalha como operária em uma indústria de tecelagem e vem ao consultório queixando-se de tonturas frequentes há alguns anos. Quando interrogada para descrever a “tontura” relata sensação de movimento, mesmo quando está parada. Na primeira vez que isso aconteceu, sentiu um pouco de náusea, mas não vomitou. No serviço tem de olhar para baixo para dobrar roupas saindo da linha e a tontura ocorre ao olhar para baixo muito rapidamente. Essa tontura dura cerca de um minuto, mas atrapalha as atividades laborais. Embora controláveis, os sintomas continuam a recidivar periodicamente e acompanham sensações leves e persistentes de desequilíbrio. Refere também zumbido na orelha esquerda. Não tem antecedentes médicos ou história familiar relacionados. Ao exame, os sinais vitais, o coração, os pulmões e o aparelho digestório são normais. As pupilas são isocóricas, simétricas, redondas e reativas à luz e à acomodação. Os movimentos extra-oculares são normais e não há nistagmo. O limiar para condução aérea e óssea (testado com a vibração de um diapasão de 256Hz) encontra-se aumentado do lado esquerdo. O restante do exame dos nervos cranianos é normal. Manobra de Dix-Hallpike negativa. Força muscular, reflexos profundos e marcha são normais. Com relação ao quadro clínico acima e o diagnóstico diferencial pertinente, analise as afirmativas a seguir.
I. As sensações descritas pela paciente são típicas do diagnóstico de vertigem paroxística benigna (VPB). Seria importante também saber com que os sintomas estão associados, por exemplo, se há tensões no trabalho e os diagnósticos diferenciais mais importantes são o transtorno do pânico e de ansiedade.
II. Essa paciente tem sintomas de vertigem central. Sua idade e ocupação laboral sedentária indica alto risco de evento cerebrovascular e a tomografia é o exame de escolha para avaliação do quadro.
III. Essa paciente está em risco de apresentar uma doença ocupacional ou de ter o seu quadro agravado pela sua ocupação. Deve-se realizar uma visita ao local de trabalho da paciente e interrogar a respeito do uso de equipamento de proteção individual (EPI) para proteção auditiva. Além de encaminhá-la ao neurologista e otorrinolaringologista para a investigação, a paciente deverá ser encaminhada para reabilitação e deverá ser realocada para uma função que não agravem os seus sintomas.
IV. A sensação de perda leve do equilíbrio e o achado de provável perda da audição neurossensorial do lado esquerdo indicam uma possível lesão no oitavo nervo craniano. É importante realizar uma audiometria e a ressonância magnética do crânio e região temporal para investigação. A presença de um neurinoma do acústico pode ser um diagnóstico diferencial pertinente para os sintomas apresentados devido ao seu início insidioso, compatível com o quadro relatado.
Marque a opção que indica a(s) afirmativa(s) CORRETA(S).