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Por que a onda de frio atual não nega o aquecimento global
Guilherme Eler
Diversos fenômenos em várias partes da Terra – como secas prolongadas, inundações, ondas de calor e, quem diria, dias de inverno mais rigorosos do que se esperava – são efeitos diretos de temperaturas mais elevadas. E a tendência é que eles fiquem cada vez mais frequentes e severos por conta disso.
Parece contraintuitivo pensar que o calor pode, inclusive, baixar graus nos termômetros. Mas isso ocorre por um motivo simples: o aquecimento global bagunça a dinâmica natural do planeta, causando efeitos inesperados. Como “dinâmica natural”, você pode entender aspectos como o comportamento de massas de ar e correntes marítimas, por exemplo. Uma vez que está mais quente que deveria em um local do globo, o deslocamento de águas ou massas de ar pelo planeta fica desestabilizado – causando condições extremas e deixando meteorologistas do mundo todo com cara de tacho.
Há um outro ponto importante: décadas de medições mostram que a temperatura que consideramos como “normal” já não é mais a mesma. De acordo com Organização Mundial de Meteorologia, 2018 foi o quarto ano mais quente da história, com médias de temperatura globais 1ºC mais elevadas do que costumavam ser na era pré-industrial. Parece pouco? Não se você considerar que a Terra é uma senhora de 4,5 bilhões de anos.
Segundo estimativa do serviço meteorológico do Reino Unido (Met Office), o período de 2014 a 2023 será a década mais quente em 150 anos de registros. Caso não façamos nada para frear o aquecimento global, a sorte da humanidade já está lançada – independentemente de qual seja a nossa opinião sobre isso.
De acordo com a Nova Ortografia vigente, a palavra “contraintuitivo” não deve ser mais grafada com hífen porque