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Os efeitos da ira contra os políticos em 2018
Com estilos diferentes, Donald Trump e Emmanuel Macron foram eleitos após capitalizarem a raiva contra o sistema político. Quem conseguirá essa bandeira no Brasil? Christopher Garman e Cliff Young
Se há uma coisa sobre a qual analistas políticos concordam no Brasil é que os eleitores estão com raiva. As pesquisas mostram que as principais figuras políticas têm níveis extraordinariamente altos de rejeição. Esse desencantamento começa a se disseminar para segmentos do judiciário. [...]
É tentador atribuir esse fenômeno a fatores específicos ao Brasil. As investigações da Lava Jato se prolongam há três anos e as condições econômicas apenas recentemente começaram a melhorar. Acrescente a isso a polêmica sobre a delação premiada acertada entre Ministério Público e os executivos da JBS, agora anulada. Não chega a surpreender que a confiança nas instituições investigadoras, e nos que conduzem a Lava Jato, esteja começando a cair.
As raízes da desconfiança, porém, são parte de um fenômeno que se estende bem além do Brasil. As pesquisas de opinião pública estão mostrando níveis profundos de desconfiança nas instituições e nos establishment político nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. As causas são várias e provavelmente um pouco diferentes, se compararmos países desenvolvidos e países emergentes. Mas esse fenômeno global nos leva a uma conclusão sobre a eleição presidencial brasileira em 2018: a economia pode até se recuperar, mas não vai abalar a desconfiança que vemos hoje. [...]
As mesmas forças estão em jogo nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina? Em nossa opinião, não. [...] Na América Latina, a cólera está focada nas instituições políticas. Ela está mais associada à emergência de uma nova classe média que passou a exigir serviços públicos de melhor qualidade, justamente quando a capacidade dos políticos de atender a essas demandas está em seu ponto mais baixo. Nesse contexto, a corrupção é uma questão mais importante no Brasil e em seus vizinhos que na Europa e nos Estados Unidos. (Observador da política, Época, 25/09/17)
Analise os períodos abaixo, com atenção para o processo de combinação das orações
I- É tentador atribuir esse fenômeno a fatores específicos ao Brasil.
II- Não chega a surpreender que a confiança nas instituições investigadoras, e nos que conduzem a Lava Jato, esteja começando a cair.
Nesses períodos, a oração subordinada em destaque assume a função sintática de