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Juízes e promotores de peso não trocariam vocação pela política
A política anda tão desqualificada que uma das armas mais utilizadas por aqueles a quem a aplicação da lei desconforta é espalhar boatos de que investigadores e juízes querem mesmo é ser políticos. [...]
[...] se pretendem mesmo trocar a estabilidade de sua profissão pela vida incerta da busca constante de votos, qual o interesse em tornar ainda mais difícil a vida dos eleitores de quem passariam a depender?
Não havendo lógica no raciocínio nem ingenuidade nos argumentos, resta como explicação a má-fé. Tão nefasta que se vale da boa-fé de um contingente de cidadãos, estes, sim, ingênuos, que consideram iguais atributos, formação, vocação e circunstâncias necessárias ao exercício de atividades absolutamente diferentes.
Mas o deserto anda tão árido no tocante à correção de condutas que, quando o público (ou parte dele) vê alguém atuando em consonância com seu interesse, a tendência é imaginar que essa mesma pessoa possa encarnar a salvação. Daí os índices elevados de “intenção de voto” quando o nome dele é incluído nas pesquisas de opinião.
O mesmo aconteceu, e ainda acontece, com o ministro do Supremo Tribunal aposentado Joaquim Barbosa. O primeiro atende às expectativas na condução do que lhe chega em relação à Lava-jato e o segundo fez o mesmo na época do julgamento do mensalão.
Naquela ocasião, passados já cinco anos, dizia-se sobre Joaquim o que se diz hoje sobre o procurador Janot. Candidatos, sem dúvida. Joaquim não foi, [...] Moro não será nem Janot. Primeiro porque não é essa a natureza de nenhum dos três. Segundo, porque em termos populares a vida já lhes sorri de onde estão.
Por último, mas não menos importante, porque os partidos têm oligarcas que não pretendem substituir tão cedo, e certas normas que não estão dispostos a submeter ao rigor de ninguém. Muito menos a rigorosos juízes e promotores que tanto apoio recebem da população. (Veja, 06/09/17)
No texto, estão em destaque as palavras mesmo e que, itens gramaticais que aparecem repetidas vezes, mas em contextos estruturais que conduzem à classificação morfológica distinta. Na sequência, expomos a classificação de tais itens, conforme os diferentes usos: I- em: “...juízes querem mesmo é.../...pretendem mesmo trocar...”, o termo mesmo se classifica como advérbio.
IIem: “...essa mesma pessoa possa encarar...”, o item mesmo se classifica como adjetivo.
IIIem: “o deserto anda tão árido no tocante à correção de condutas que, quando o público vê alguém atuando em consonância com seu interesse, a tendência é imaginar que essa mesma pessoa possa encarnar a salvação”, o item que destacado se classifica como pronome relativo.
IVem: “...a tendência é imaginar que essa mesma pessoa possa encarnar a salvação...”, o que se classifica como conjunção integrante.
V- no último parágrafo, todas as ocorrências do elemento que o identificam como pronome relativo.
É possível afirmar com relação à classificação acima proposta que NÃO estão corretas apenas