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Dia do Saci: edição de luxo do clássico de Monteiro Lobato tem ilustrações originais
POR BRUNO MOLINERO
Se no mundo inteiro hoje é o Dia das Bruxas, de gostosuras e travessuras, o dia 31 de outubro no Brasil celebra um molecote sem perna, bem brasileiro e endiabrado: o Saci.
Gorro na cabeça, uma perna só e cachimbo na boca, o personagem do folclore ganhou um dia só pra ele há pouco tempo: menos de uma década, como uma tentativa de valorizar histórias e lendas brasileiras frente aos monstros e bruxas do Halloween norte-americano.
Só que o escritor Monteiro Lobato já fazia isso há quase cem anos. O pai da literatura infantojuvenil brasileira e da turma do Sítio do Picapau Amarelo publicou em 1921 “O Saci”, livro que de certa forma recuperou a figura desse moleque travesso de uma perna só, naquela época restrita à cultura popular e aos causos do interior e das zonas rurais do país, longe dos livros, das escolas e das cidades.
Se eram só os meninos que andavam de pés descalços na roça que conheciam o Saci naquela época, então ninguém melhor para resgatar esse folclore do que o Pedrinho. O garoto inventado por Lobato para as aventuras do “Sítio do Picapau Amarelo”, que saía da cidade para passar temporadas na casa de Dona Benta, resolve em “O Saci” superar o medo do traiçoeiro diabinho e caça uma dessas criaturas, aprisionando-a em uma garrafa.
A editora Biblioteca Azul lançou neste ano uma versão de luxo da história, com capa dura e ilustrações originais das primeiras edições do livro. Fazem parte, por exemplo, os desenhos de Voltolino, que ilustrou o primeiro livro infantojuvenil de Monteiro Lobato, “A Menina do Nariz Arrebitado” (1920), e que é considerado um dos grandes intérpretes do universo criado pelo escritor.
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Lobato era um verdadeiro especialista em Sacis. Desde criança, quando ouvia as histórias do personagem na fazenda de seu pai, o moleque de uma perna só rondava sua cabeça. Tanto que, em 1916, ele já refletia sobre a ausência do folclore nacional no nosso dia a dia e escreveu na “Revista do Brasil”: “Pelos canteiros de grama inglesa há figurinhas de anões germânicos, gnomos do Reno, a sobraçarem garrafas de ‘beer’. Por que tais niebelungices, mudas à nossa alma, e não sacys-serêrês, caaporas, mães d’água, e mais duendes criados pela imaginação popular?” [...]
A palavra que não foi flexionada no grau diminutivo é