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NÃO SOMOS FIGURINHAS!
1º Uma menina muito ressabiada. Era como se tivesse medo de gente. Parentes, padrinhos, vizinhos, colegas e até o padre não conseguiam entender o que a impedia de viver em paz com seus iguais.
2º “Mas o problema é justamente esse”, gesticulava ela, acariciando com seus dedinhos o pelo __________ de seu gato magro, branco e preto – o Bandidão. “Não somos iguais, não somos iguais, é tudo mentira. Eu olho para a Pati, o Ivan, o Ademir, a Tatá e só vejo diferenças.”
3º Os adultos se entreolharam desanimados e pediam mais explicações. “Como diferentes, minha filha? Somos seres humanos, gente igual a você, iguais entre nós: duas pernas, dois bracinhos, dois olhos, uma língua, um cérebro, dez dedos nas mãos, dez nos pés...”
4º Bandidão não estava nem aí para aquela conversa sempre tão óbvia. Entediado, deu um pinote, abandonando o colo de sua dona, também como um pinote, a garota disse algo que nunca havia dito: “E quem não tem duas pernas? Ou não escuta? Ou que tem dois olhos mas um é de vidro? Ou é muito feio? Aí não é gente? Para ser gente não basta nascer? E os bebês, não são diferentes? Por que vocês ____________ em me convencer de que somos iguais? Gente não é como figurinha, que nós arrumamos em fila, ___________ de lado as amassadas e as rásgadas para decidir o que fazer com elas depois.”
5º Bandidão estava emocionado. Entendera tudo, ora pois. A menina não tinha medo de gente. Acuada, sofria por outras razões. Faltava-lhe era coragem para discordar do pensamento dos adultos.
6º Confiante por ter conseguido, enfim, explicar sua angústia para os pais, ela experimentou uma sensação nova: sentiu pressa, muita pressa de ir para a escola. Pela primeira vez, sentia prazer em ser gente. Dedicou um último olhar de amor para Bandidão e seguiu pela rua.
Cláudia Werneck. In: Revista Nova Escola, ano 17, nº 152. São Paulo, Abril, maio/2002.
Assinale a alternativa em que a palavra deveria estar escrita com “ç”: