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Imagine que cientistas extraterrestres visitem nosso planeta. Entre as inúmeras formas de vida na Terra, certamente a existência de nossa espécie, Homo sapiens, seria a que mais impressionaria tais visitantes. Os alienígenas, com facilidade, notariam que os humanos se destacam do restante da natureza terrestre por não serem apenas parte da paisagem do pequeno planeta azul. Com efeito, os ETs perceberiam que essa espécie é a única capaz de alterar o seu ambiente físico de maneira deliberada e em larga escala, de acordo com os seus interesses, na forma de organizações culturais complexas, divididas em aldeias, cidades e países, com diferentes graus de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico. Nossos visitantes entenderiam que isso não quer dizer, entretanto, que todos os humanos devam compartilhar exatamente o mesmo sistema simbólico; afinal, a faculdade da linguagem é somente uma disposição, com a qual os bebês humanos já nascem, para aprender a língua do ambiente.
Ora, por que a realidade é assim? Por que todas as sociedades humanas possuem pelo menos uma língua e, em muitos casos, possuem diversas línguas? Por que nossos cientistas extraterrestres não encontrariam pela Terra sociedades humanas sem língua?
A resposta mais simples para essa questão seria assumir que as línguas são somente mais uma entre as milhões de invenções culturais humanas. De acordo com essa hipótese, em um determinado momento da história da espécie, uma cultura específica teria adaptado, para uso coletivo, um sistema simbólico de expressão individual, criado por acaso, trazendo luz primeira língua humana. Essa, mais tarde, seria copiada e adaptada pelas outras culturas no decurso dos séculos e dos milênios. Portanto, as línguas teriam origem num acontecimento casual isolado, largamente copiado e adaptado de cultura cultura, até o ponto em que todas as comunidades humanas chegassem a se apropriar dessa suposta invenção engenhosa.
Explicar a universalidade das línguas pela hipótese da disseminação cultural é apenas parcialmente correto. De fato, para ser usado, um sistema simbólico qualquer precisa ser compartilhado entre os indivíduos de uma comunidade, e, por conseguinte, o aprendizado cultural das convenções desse sistema é fator crucial para explicar o que são as línguas e elas existem.
No entanto, conforme os nossos mais eminentes cientistas cognitivos contemporâneos apontam, os bebês humanos parecem ter herdado da longa história evolucionária do H. sapiens a habilidade natural e espontânea de adquirir a língua de seu ambiente.
De fato, a disposição natural para adquirir uma língua qualquer, observável em bebês pequenos ou mesmo em fetos já no sexto mês de gestação, sugere que a espécie humana seja biologicamente programada para absorver a língua de seu ambiente (ou as línguas, no contexto das comunidades multilíngues). À vista disso, não é cientificamente plausível que uma língua seja tão somente uma invenção cultural contingente, pois esses tipos de criações arbitrárias (como os esportes, as religiões, os sistemas de escrita etc.) não estão correlacionados à genética dos fetos e dos bebês humanos e, por isso mesmo, demandam das crianças mais de uma década de aprendizado consciente, dirigido explicitamente por alguma pedagogia ativa vinda dos adultos.
Assinale a alternativa que apresenta apenas adjetivos retirados do texto.