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Espera na fila do supermercado numa noite de sábado.
Ele conta: cinco pessoas na sua frente, uma com um carrinho cheio, as outras segurando cestinhos quase transbordando, todos eles com latas de cerveja. Este é o caixa com menor movimento.
Ele faz a conta: daqui a vinte minutos a chegada de Ana deverá ser anunciada pelo porteiro do prédio (na verdade Ana chegará cinco minutos mais cedo do que ele imagina), são cinco pessoas, a que está escondida atrás do carinho demorará uns dez minutos passando e pagando as compras, as que empurram cestinhos com os pés ficarão cerca de três ou quatro minutos de frente para a operadora de caixa, não vai dar tempo.
Abre um pacotinho de chocolates enquanto espera.
É sábado à noite, ele na fila do supermercado. Ana vai chegar, eles jantarão juntos. Ele vai cozinhar para ela.
Uma luz começa a piscar acima do computador do caixa. Um homem aparece, gel no cabelo, crachá no pescoço. Pega da esteira sacos que contêm: cenouras, pimentões, batatas e cebolas. A pessoa que levava o carrinho esqueceu de pesá-los. O homem, gel no cabelo e crachá no pescoço, fará esse trabalho, e antes de sair mostra um sorriso largo para a cliente.
Agora as outras pessoas da fila suspiram e olham para trás, procurando por olhares cúmplices de impaciência. Na fila do supermercado, sábado à noite, todos esperando pelos sacos que não foram pesados. Ana deve estar virando a esquina, ele pensa (ele não sabe, mas ela já está sendo avisada pelo porteiro de que não tem ninguém em casa, “seu Ricardo saiu de carro e ainda não voltou, mas posso ligar mesmo assim, se a senhora quiser”).
Uma mensagem no celular, ele lê o nome no visor e, quando faz o movimento com o dedo para ler, o aparelho desliga, a bateria acabou. Ela deve estar tentando me avisar que está saindo de casa, ele pensa, esperançoso, e vê que os sacos, agora devidamente pesados, já estão de volta, na mão da operadora de caixa.
De repente ele lembra que esqueceu daquele vinho chileno, tem certeza de que Ana adoraria. Não quer sair da fila só para ir atrás do vinho, sabe que se atrasará ainda mais. A dúvida insiste. Ela vai amar. Decide que vai buscar a garrafa de vinho, pede para a única pessoa que está atrás dele guardar o seu lugar um minutinho só, por favor. Tem certeza de que Ana não vai se importar, um minutinho a mais, um a menos, o que importa é passarem a noite juntos.
Adaptado de: SOUZA, T. S. “A fila do supermercado”. In: ASSIS BRASIL, L. A. (org.) Melhor não abrir essa gaveta: contos de razão e loucura. Porto Alegre: Terceiro Selo, 2014.
Assinale a alternativa que apresenta palavras com os mesmos prefixos presentes nas palavras impaciência (l. 26-27) e desliga (l. 36), respectivamente.