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A ENCANTADORA MAGIA DAS PALAVRAS
(1º§) Os sufis do Oriente Médio eram como uma antiga maçonaria literária, cujas origens jamais foram traçadas ou datadas. Também conhecida simplesmente como a "Tradição", a "Escola Sufi" elegia as histórias como veículos para transmissão de sabedoria.
(2º§) Herdeiros de vasto legado da tradição oral, esses contadores de histórias acreditavam em narrativas fantásticas. Eles diziam que a narrativa podia ser comparada a um barco a deslocar-se no vasto mar de narrativas do imaginário universal. Não se conformavam com verdades, pois eram tão fantasiosos que viviam num mundo das abstrações.
(3º§) Talvez o ofício de um escritor em muito se assemelhe ao de um navegante, ao sabor das intempéries marinhas. Depois de lançada ao mar, cabe à narrativa transformar-se segundo a imaginação daquele que a acolhe. Não pareciam viver na terra, então, redobravam as fantasias. A cada leitor, seu porto; a cada viagem, a bênção sutil da bem-aventurança.
(4º§) Ler é escutar os sons da vida; escrever é cuidar para que a existência e o sonho pessoal sejam compartilhados com o mundo, transformados em novas histórias pelas mentes de leitores desconhecidos, membros da biblioteca infinita que se constitui como misterioso registro da experiência de ser humano. Eles sempre tiveram necessidade de se enganar.
(5º§) O dom de transfigurar a realidade para alimentar o mundo dos sonhos fazia com que os sufis fossem fazendo "Mágica com as palavras" para encher muitos corações de alegria. Muitas pessoas ainda são fantasiosas como os sufis, porque gostam de viver de ilusões.
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Herdeiros de vasto legado da tradição oral, esses contadores de histórias acreditavam que a narrativa podia ser comparada a um barco a deslocar-se no vasto mar de narrativas do imaginário universal.