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O texto abaixo foi retirado do livro Cabelos Molhados de Luís Pimentel. Leia-o atentamente e responda as questões de nº 21 a nº 23.
NÃO É UMA QUESTÃO PESSOAL
O menino olhava para o filhote de preá, maravilhado. O bicho olhava para o menino, com medo. Dois olhinhos pretos e miúdos, que nem duas jabuticabas. Pegava sol sobre a pedra e provavelmente montava guarda, protegendo pai e mãe que dormiam em algum toco de madeira próximo. Talvez por estar muito preocupado com o menino, o preazinho não percebeu a aproximação da cascavel, não sentiu o cheiro nem ouviu o barulho da serpente arrastando a barriga no lajedo. De repente o bote, o susto, o animal atravessado na boca da cobra e as gotas de sangue do bichinho pintando a pedra. "Não!", gritou o menino, mas era tarde. A cascavel já ia longe com sua presa quando o menino abriu os olhos. A mãe enxugava gotas de suor em sua testa. "Teve um pesadelo, meu filho?" "Uma cobra enorme, mãe. Um preazinho bem pequeno." A mãe sorriu, compreensiva: "A febre. Provoca sonhos confusos, delírios." "Era um bicho pequenino. Tinha olhos bem pretos." "Cascavel não pensa nessas coisas, meu filho." "Por que foi pegar logo ele?" A mãe passou novamente o lenço na testa do menino, suave e didática: "Por causa da fome, Nada pessoal."
Em “Um preazinho bem pequeno”, o termo destacado pode ser definido como?