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A técnica Crispr, descrita pela revista Science como o maior avanço de 2015, permite encontrar, em um gene humano, uma sequência defeituosa e alterá-la de forma que o problema seja resolvido. Esta pesquisa inicial britânica tem como alvo os fatores que têm impacto na sobrevivência bem sucedida de um embrião no útero, mas as potenciais aplicações da Crispr no longo prazo estão se expandindo.
Contudo a preocupação se refere aos valores que promovemos, conscientemente ou não, por meio da edição genética de embriões nos estágios iniciais. Frequentemente, quando uma nova tecnologia é apresentada ao público, mostra-se apenas uma parte do quebra cabeças, mas para fazer um julgamento sensato deveríamos olhar para o possível futuro da edição genética, para assim ter o quadro completo. Por mais que o objetivo de aliviar o sofrimento e evitar doenças seja nobre, essas mesmas técnicas poderiam ser usadas para ampliar as desigualdades existentes dentro de nossa sociedade pela promoção de certas características como superiores ou desejáveis - por exemplo, maior inteligência ou beleza física. Relatórios da Unesco e da União Europeia já manifestaram severas críticas à manipulação intencional do germline, reconhecendo a possibilidade de um projeto eugênico aplicado ao âmago do nosso ser.
Pode ser fácil, para quem não tem um interesse particular pela ciência, distanciar-se desses avanços e deixar o julgamento para a comunidade científica. Mas precisamos lembrar que o “bio” de “biologia” vem de bios, a palavra grega para “vida” - e vida é algo que você e eu temos e compartilhamos. As questões relativas aos fundamentos da vida são perguntas que têm uma enorme influência em nossa sociedade e nas gerações que nos sucederão, e em como traçamos nosso caminho para uma sociedade mais justa e igualitária, que defenda o valor intrínseco de cada um de seus cidadãos. Assim, mergulhar nas implicações de longo prazo das decisões tomadas hoje é uma responsabilidade universal.
(Adaptado de Gazeta do Povo, 13/02/2016)
Em relação às regras de acentuação, a palavra “deveríamos” (linha 11) do Texto, é acentuada pela mesma regra da palavra: