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A bactéria ideal para a sua conta de luz
A. J. Oliveira
E se as pilhas alcalinas do seu controle remoto deixassem descendentes? Clones carregados, prontinhos para serem usados - energia renovável, na acepção da palavra. O conceito é excêntrico, mas existem bactérias que se enquadrariam muito bem no papel de baterias vivas, já que seu próprio metabolismo produz energia elétrica. Alguns desses organismos desenvolveram um processo chamado transferência extracelular de elétrons (EET, na sigla em inglês). Elas basicamente produzem elétrons no interior das células, e eles circulam por microcanais de proteínas, como pequenas correntes elétricas. O problema é que nenhuma tentativa de extrair essa energia bacteriana para uso humano deu certo. Até agora.
Primeiro, porque você precisa encontrar o tipo certo de bactéria. Mas o processo atual exige cultivar grandes colônias bacterianas, para só daí conseguir medir a atividade elétrica produzida ali. É um método trabalhoso e demorado. Logo, é inviável utilizá-lo em grande escala.
Entra em cena o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O instituto criou um chip, em formato de ampulheta, capaz de mensurar a atividade eletroquímica das bactérias e de separá-las de acordo com as suas características, como tamanho e espécie.
Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram empregar a técnica para selecionar os micróbios que produzem eletricidade. "Basicamente, as pessoas estavam usando essa técnica para separar bactérias tão diferentes quanto, digamos, um sapo de um passarinho, enquanto nós estamos tentando distinguir dois sapos irmãos - são diferenças mais sutis", explica Qianru Wang, engenheira mecânica do MIT e coautora do estudo. A pesquisadora pretende usar a técnica para determinar a quantidade de energia elétrica que determinadas bactérias podem gerar, como um multímetro de micróbios. O próximo passo será verificar o método em uma gama maior de espécies - e então encaminhá-las para gerar energia.
Superinteressante, fev, 2019.
Elas basicamente produzem elétrons no interior das células, e eles circulam por microcanais de proteínas, como pequenas correntes elétricas.
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