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Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) adaptou e validou novos instrumentos que ampliam a capacidade de pesquisadores e profissionais de saúde mental de compreender as motivações associadas ao consumo de álcool entre universitários. As ferramentas, com estratégias voltadas para o manejo das emoções, avaliam por que estudantes bebem e por que decidem reduzir ou interromper a ingestão de bebidas alcoólicas — dimensões ainda pouco exploradas em estudos e práticas clínicas.
Dentre os padrões encontrados, associados ao uso abusivo do álcool, observou-se que os estudantes tendem a beber mais quando utilizam o álcool como recurso para lidar com emoções negativas, como ansiedade, tristeza, angústia, medo e culpa, ou ainda como reforço de emoções positivas, como alegria, prazer, entusiasmo e autoestima. Em estudos publicados no Brasil na última década, verificou-se que as pesquisas sobre consumo de álcool entre universitários se concentravam em dados epidemiológicos, padrões de uso e consequências do consumo. Segundo o psicólogo Kairon de Sousa, autor do estudo, havia pouca exploração das variáveis psicológicas que antecedem o ato de beber e que ajudam a compreender fatores relacionados à adesão, à redução ou à interrupção do consumo.
Após a validação, os instrumentos fundamentaram a etapa empírica do estudo, que envolveu 506 estudantes de graduação de diferentes regiões do país. Nessa fase, os pesquisadores analisaram como determinados constructos psicológicos — ou seja, fatores como estados emocionais — se relacionavam com as respostas ao AUDIT (Teste de Identificação de Distúrbios por Uso de Álcool), ferramenta internacionalmente utilizada para rastrear o uso nocivo de bebidas alcoólicas. O AUDIT reúne perguntas sobre frequência e padrão de consumo, além de consequências associadas ao beber.
A pesquisa completa resultou na tese “Motivações, vivências afetivas e problemas de uso de álcool em universitários”, defendida por Kairon de Sousa no Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, sob orientação da professora Sonia Regina Pasian. O trabalho terá seus capítulos submetidos à publicação em periódicos científicos e então ficará disponível on-line. “O estudante bebe para aliviar sentimentos desagradáveis, obtém um alívio momentâneo, mas não enfrenta as causas do sofrimento. Isso favorece a repetição do comportamento e pode aumentar o risco de dependência”, afirma o psicólogo. “O processo cria um ciclo em que o consumo passa a ser a resposta recorrente ao mal-estar emocional”.
Segundo a pesquisa, a entrada do jovem no ensino superior tem sido associada ao aumento nocivo do uso de bebidas alcoólicas. O período é marcado por diversos desafios, como adaptação à vida universitária, afastamento da família, busca de integração entre pares, estresse e cobranças acadêmicas. O estudo identificou ainda padrões elevados de consumo de álcool nessa faixa etária, como episódios de ingestão excessiva em curto período de tempo (binge drinking), trazendo prejuízos físicos, mentais e sociais, como queda no desempenho acadêmico, apagões alcoólicos, comportamentos sexuais de risco, dificuldade nas relações interpessoais e maior probabilidade de uso combinado às substâncias ilícitas.
Assinale a alternativa que indica corretamente a função gramatical ou o sentido dos termos destacados nos seguintes trechos, retirados do texto:
I. “havia pouca exploração das variáveis psicológicas que antecedem o ato de beber ...”
II. “O estudante bebe para aliviar sentimentos desagradáveis, obtém um alívio momentâneo, mas não enfrenta as causas do sofrimento”.
III. “O processo cria um ciclo em que o consumo passa a ser a resposta recorrente ao mal-estar emocional”.