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Uvas para vinho Pinot Noir são cultivadas desde a Idade Média, diz estudo
Por Fernanda Zibordi
O vinho é uma bebida essencial para diferentes civilizações milhares de anos. medida que as sociedades se desenvolveram, o cultivo da uva também passou por transformações importantes. Mesmo que os registros mais antigos da bebida datem de 8 mil anos atrás, práticas consistentes de cultivo das uvas para a produção da bebida parecem ter começado mais tarde.
Um novo estudo, publicado na revista científica Nature Communications, revela que, pelo menos desde cerca de 2.000 a.C., o ser humano adota estratégias de melhoramento genético e domesticação de videiras na região atual da França. Mais do que isso, os pesquisadores identificaram clones geneticamente idênticos de uvas de Valenciennes, que datam da Idade Média, e que ainda são amplamente cultivadas pelo mundo como uva Pinot Noir.
“Encontramos a mesma planta, 600 anos atrás, no século 15. Mantiveram-na como era, propagada como um clone – como uma fotocópia – por séculos, literalmente”, afirma Ludovic Orlando, pesquisador da Universidade de Toulouse e coautor do estudo, em entrevista ao Scientific American. De fato, o estudo foi capaz de traçar a trajetória das uvas na Europa partir da análise de quase 50 sementes de uvas silvestres e cultivadas, coletadas em sítios arqueológicos, principalmente na França. As sementes datam de períodos entre a Idade do Bronze e a Idade Média, abarcando quase 4 mil anos de história.
Com a descoberta de clones geneticamente idênticos, ficou claro para os cientistas que os colhedores dependiam da propagação vegetativa – o processo de cultivo de novas plantas a partir de caules e estacas. Em específico, o caso das amostras de Valenciennes demonstrou que, pelas estratégias de cultivos antigas, o ser humano vem degustando o mesmo tipo de vinho tinto desde pelo menos o século 16.
Para realmente saber se os vinhos que civilizações antigas consumiam tinham o mesmo sabor que os que consumimos hoje em dia, análises de DNA infelizmente não são suficientes. “Trabalhos futuros devem, no entanto, expandir a abrangência temporal dos conjuntos investigados, especialmente para contextos pré e pós-romanos, a fim de obter uma resolução mais precisa da dinâmica das práticas de cultivo e das mudanças na diversidade das videiras ao longo do tempo”, dizem os autores.
O vocábulo “que”, na linha 10 do texto, refere-se a: