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A vida tem dessas de promover alguns encontros quando a gente nem sabe se tá querendo ser encontrado. Eu estava no meio do nada. — ok, sem tanto extremismo: eu estava em uma conveniência de beira de estrada, daquelas em que o sinal do celular é meio capenga e os salgados são superfaturados. O passeio era despretensioso, coisa rápida pra esvaziar a bexiga e seguir caminho. Para pagar o uso do banheiro, comprei uma água (também superfaturada), e logo ali no caixa veio a surpresa: encontrei uma bala que não via .... no mínimo uns 20 anos.
Foi como um soco no estômago, desses que desmancham certezas e despertam lembranças. A bala em questão era um quadradinho envolto em papel prateado, daqueles que grudam e muitas vezes a gente acaba mastigando com um pouco de embalagem mesmo. A viagem, antes prevista para determinada cidade, de súbito pareceu deslocar-se para um tempo bem antigo, no qual eu ainda era criança e conhecia aquela bala pela primeira vez. Lembro como se pudesse tocar .... memória com os dedos: a professora de espanhol sempre entregava de presente um daqueles doces quando acertávamos alguma atividade.
O engraçado é que durante anos eu procurei por aquela bala, e todas as minhas tentativas foram ....... . Acontece que certas coisas só nos encontram no momento certo — e nunca sabemos quando ele vai chegar. Ali, parado, imóvel em frente ao caixa, tratei logo de pegar um punhado daquele pedaço de nostalgia, como se buscasse segurança em um passado idealizado que jamais vai voltar. Rodeados de um presente líquido e instável, levei no bolso um pedaço de mim que pensei que nunca reencontraria. Foi barato, foi inesperado, foi necessário.
Confesso que ainda não comi todas as 8 balas que comprei. Guardei algumas para algum momento em que a realidade pareça tão difícil e desconexa que a certeza do ontem irá de alguma forma parecer cafuné. Também fiz isso porque não sei quando é que vou encontrá-las por aí de novo — tá certo, eu até sei o local, mas ele fica longe e, sabe como é, mesmo que o passado pareça reconfortante, a gente tem uma pressa de futuro que muitas vezes é tudo, menos doce.
Analise as assertivas a seguir a respeito da palavra “punhado” (l. 17):
I. Apresenta o mesmo radical que a palavra “punho”.
II. Um sinônimo possível para este vocábulo é “porção”.
III. É um adjetivo formado a partir do particípio de um verbo.
Quais estão corretas?