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Por que é tão difícil salvar o clima?
Por Bruno Carbinatto e Eduardo Lima
O químico sueco Svante Arrhenius foi o primeiro a teorizar que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera esquentaria a Terra. Em 1896, ele previu que a temperatura média aumentaria 5 °C nos próximos séculos – ou milênios. O sueco acertou que o termômetro subiria, mas errou feio nos prazos – e nas consequências. O ano passado foi o mais quente já registrado pelos humanos. A Terra ficou, em média, 1,55 °C acima da temperatura do período pré-industrial. A culpa é nossa: em 2024, jogamos 37,4 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera graças à queima de combustíveis fósseis, um recorde.
Os efeitos do aquecimento global não se limitam mais a projeções. Só no ano passado, 60 mil pessoas morreram por causa de ondas de calor na Europa, enchentes devastaram o Rio Grande do Sul e a Espanha, e o Brasil teve a maior seca da sua história. A crise já começou, e vai piorar.
Hoje, é consenso científico que o aquecimento global é causado pelos humanos. Ora, se o problema são as emissões de gases de efeito estufa, basta parar de emiti-los, certo? Acontece que esse é o maior desafio coletivo da História. Desde a metade do século XVIII, o desenvolvimento mundial depende de combustíveis fósseis. Nos últimos anos, mais de 80% da energia vem de petróleo, carvão e gás natural, e a demanda só cresce. Na conta entram eletricidade (que no Brasil é 86% renovável, mas na maioria dos países depende de fontes poluentes), transporte, construção, processos industriais etc.
Parar de emitir os gases estufa não é fácil, nem rápido, nem barato. É preciso substituir a matriz energética de todo o mundo por alternativas que não emitem carbono, como energia solar, eólica, hidrelétrica e até nuclear (ela não é renovável e tem seu uso contestado por alguns, mas é fato que ela não libera CO2). Em resumo: seria preciso reformular toda a base da economia mundial.
A ciência diz que as emissões precisam ser reduzidas imediatamente para controlar o aquecimento da Terra em um patamar tolerável. Em 2015, no Acordo de Paris, todos os países estabeleceram uma meta: limitar o aquecimento a 1,5 °C em comparação aos níveis pré-industriais. É uma corrida contra o tempo. Em 2023 e em 2024, a Terra bateu recordes de temperatura – um indício de que o planeta pode estar esquentando mais rápido do que as previsões.
Se a temperatura média da Terra aumentar 2 °C – o limite máximo do Acordo de Paris –, quase todos os recifes de coral vão acabar e a produtividade agrícola vai diminuir. Além disso, 40% do permafrost, o solo permanentemente congelado das regiões árticas, vai derreter até o final do século – e, com isso, liberar mais CO2 e metano que antes estavam aprisionados. É um cenário assustador, e pode piorar: se o nível das emissões continuar como está, a estimativa mais conservadora é que a Terra aqueça 3,2 °C até 2100. Agora, se o Acordo de Paris for completamente ignorado, podemos alcançar um aumento de 4,4 °C.
Em novembro, o mundo se reúne em Belém para a 30ª edição da COP, principal conferência climática da ONU. O principal objetivo das COPs é negociar meios para definir os detalhes de como a transição energética vai ocorrer, quais os prazos e como será o financiamento. No entanto, o cenário internacional é desfavorável. Transportar toda a economia mundial para uma lógica limpa ainda é caro, claro, mas factível.
A locução verbal “vai piorar” em “A crise já começou, e vai piorar” veicula um sentido de: