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Quando fiz meu mestrado na França, um colega ficou muito surpreso ao saber que eu jamais havia estado na capital do meu país até então. Expliquei que as distâncias são imensas no Brasil e que, mais cedo ou mais tarde, algum problema suficientemente grande me obrigaria a fazer tal visita.
Esse dia chegou — já faz muitos anos. Parti de manhã bem cedo, com uma maleta de mão cheia de planos. Almocei rapidamente ao chegar ao Distrito Federal e segui para o ministério onde tinha uma audiência marcada. A conversa com o ministro aumentou minhas esperanças. Durante o voo de volta, no fim da tarde do mesmo dia, segui sonhando. Mas tudo foi por água abaixo menos de duas semanas depois. Olhando para trás, foram oito horas melancólicas de um jogo de cartas marcadas cujo vencedor não era eu.
Voltei a Brasília outras vezes, para promover vinhos brasileiros ou apresentar projetos que dependiam do apoio de alguma instituição federal. Burocracias, sorrisos falsos e experiências vazias se acumulavam nos seus brancos edifícios. Eu, um colono da Serra gaúcha, não sentia a mínima conexão com aquele amontoado de concreto.
Passei anos sem pisar naquele asfalto escaldante. Até que recebi o convite da amiga Mara Flora para ser jurado em um concurso de vinhos. Fui com uma mochila quase vazia — quanto mais o tempo passa, menores ficam minhas malas. Os caminhos encurtam quando a bagagem é leve: sem demasiada esperança, sem dar tanta importância para as memórias, sem necessidade de tudo compreender. Mais que isso, abre-se espaço para a surpresa de novas experiências: conheci os primeiros vinhedos e vinhos brasilienses.
Ao pôr do sol do primeiro dia, recebi uma mensagem injuriada em forma de poema do meu amigo Gambá (ele só aceita ser chamado assim mesmo, e o significado é exatamente o que você está pensando). No ano seguinte, voltei para a primeira Expovitis — uma bela feira exclusivamente de vinhos brasileiros. Nos reencontramos em um caloroso abraço — que condensou todos os que dou e recebo a cada vez que volto à nossa capital. Um sorriso escapa toda vez que penso: “alguém em Brasília sente saudade de mim”.
Brasília, essa terra agora de bons vinhos e bons amigos. A capital de noites frescas e que pertence a todos nós — um lugar para formar esse “casal insuportável” com a vida, como dizia Niemeyer: “Amo a vida e a vida me ama”.
Considerando o fragmento, retirado do texto, “Esse dia chegou”, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O sujeito da oração é classificado como composto.
( ) O predicado é classificado como verbal.
( ) O termo “chegou” representa um verbo transitivo direto.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: