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Santos Dumont, o “pai da aviação”, não nasceu com o bigodão famoso das fotografias, tampouco teve qualquer tipo de filho por muitos e muitos anos da vida — o que se quer dizer em resumo é que, obviamente, Santos Dumont também já foi criança um dia. Nessa infância, Alberto (esse era seu primeiro nome) fez um pouco de tudo: tirou notas ruins na escola, brincou de trem e leu dezenas de livros. Seu escritor preferido era Júlio Verne, autor de “Viagem ao Centro da Terra e Vinte Mil Léguas Submarinas”.
Observador do funcionamento das coisas, Alberto curtia as máquinas malucas que Verne descrevia em suas obras. Era fascinado por tecnologia e usava palha para construir aeronaves de brinquedo, que tinham elásticos enrolados para dar a propulsão necessária ao voo. Isso tudo aconteceu muito tempo atrás: Alberto Santos Dumont faria 150 anos de idade nesta quinta (20).
“Ele foi essa pessoa que levou a humanidade para os ares”, define Estevão Ciavatta, diretor e roteirista que escreveu um livro para crianças em que conta a história do aviador.
Em “Mais Leve que o Ar” (editora Matrix), Estevão fala, entre outros temas, da fazenda em que Santos Dumont cresceu, no interior de São Paulo, e que por coincidência foi a mesma fazenda em que a parte italiana da família de Estevão viveu assim que chegou ao Brasil, anos e anos atrás. "Minha avó e minha mãe nasceram lá. Minha avó era empregada da casa e meu avô era jardineiro e caseiro. Isso me deu uma ligação muito forte com a história dele [Santos Dumont], pude visitar a fazenda e rever fotos, e pensar tudo pelos dois lados, dos patrões e dos empregados”, conta. E essa infância na fazenda que Alberto teve foi, na visão de Estevão, fundamental para que ele inventasse o avião anos depois. “Acho que a ligação dele com a natureza daquele lugar, com as pessoas e também com as máquinas de lá fez ele ser o cara que conseguiu pensar diferente de todo mundo”, opina.
Aliás, há quem conteste essa informação —talvez você já tenha se deparado com filmes, por exemplo, que mostram outras pessoas como os inventores do avião. Os americanos Irmãos Wright são os nomes mais famosos que aparecem nessa “disputa”, que tem mais de uma dezena de envolvidos. Estevão acha que isso acontece por causa da nacionalidade de Santos Dumont. “Ninguém nunca aceitou que um brasileiro fizesse isso”, acredita. “Depois da Segunda Guerra Mundial, começou uma campanha de marketing muito feroz dos Estados Unidos para desacreditar o Santos Dumont. É uma grande mentira muito fácil de provar, isso de os irmãos serem os inventores. Não tem registro do voo deles, só uma fotografia de um planador sendo catapultado, ele não saía sozinho do solo. Isso outras pessoas já tinham feito”.
O 14-bis, por sua vez, nome do avião que Santos Dumont criou, voava direitinho (o nome original dele na verdade era Oiseau de Proie II, mas não foi assim que ele ficou conhecido). Seu voo histórico aconteceu em 23 de outubro de 1906 no campo de Bagatelle, em Paris, na França.
Ele percorreu 60 metros em sete segundos, voando a dois metros de altura. O último voo do 14-bis foi quase um ano depois, em 4 de abril de 1907 — nele, Santos Dumont perdeu o controle da aeronave e bateu no chão. Depois, separou as peças dela e as usou em outros projetos.
Santos Dumont nasceu em uma família muito rica — seu pai era “o rei do café”, como define Estevão Ciavatta, porque tinha a maior fazenda produtora de café do Brasil. O inventor viveu 59 anos e foi um dos homens mais importantes de seu tempo.
“Ele foi tão incrível que, em um desfile da parada de 14 de julho, em comemoração à Independência Francesa, sobrevoou Paris com um dirigível e foi saudado pelo presidente da França”, celebra Estevão.
Analise o seguinte trecho retirado do texto: “‘Minha avó e minha mãe nasceram lá. Minha avó era empregada da casa e meu avô era jardineiro e caseiro. Isso me deu uma ligação muito forte com a história dele [Santos Dumont], pude visitar a fazenda e rever fotos, e pensar tudo pelos dois lados, dos patrões e dos empregados’, conta”. Em relação ao substantivo próprio sublinhado, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A supressão não causaria incorreção sintática ao trecho.
( ) Ao ser suprimido, a compreensão do texto ficaria prejudicada por criar um sentido de ambiguidade, ou seja, o pronome “dele” poderia se referir tanto a Santos Dumont como ao avô de Estevão Ciavatta.
( ) Poderia ser suprimido porque fica evidente no texto que o pronome “dele” se refere a Santos Dumont.
( ) Poderia ser suprimido sem prejuízo de sentido.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: