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Ao mesmo tempo que existem dezenas de histórias que permanecem sem respostas da medicina, já há um conjunto de evidências que indicam como as crenças — em Deus, em entidades do outro mundo ou mesmo na natureza — influenciam o bem-estar físico e mental e o desfecho de doenças. Para o cardiologista Alvaro Avezum, presidente do Departamento de Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), antes de discutir os efeitos de uma crença, é importante distinguir três conceitos: religião, religiosidade e espiritualidade.
“De maneira sucinta, religião é um sistema organizado de crenças, práticas, símbolos e rituais no qual a pessoa busca algum tipo de compreensão daquilo que é o sagrado, o não mensurável. Religiosidade, por sua vez, pressupõe que o indivíduo já tenha uma religião e considera como e quanto ele a pratica”, esclarece. “Já a espiritualidade”, prossegue o médico, “contempla uma série de valores morais, mentais e emocionais, que norteiam comportamentos e atitudes que podem ser observados e mensurados”.
Investigações nacionais de pacientes com insuficiência cardíaca registram como outra vantagem a adesão aos tratamentos prescritos e às orientações nutricionais. A vivência espiritual também faz diferença na contenção de danos e na qualidade de vida entre pessoas que passaram por um AVC, como sugere um estudo italiano — nesse contexto, as crenças foram associadas a menores índices de mortalidade e de novos episódios de derrame.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard, nos EUA, é categórico ao afirmar que considerar esse âmbito da vida na assistência médica significa acolher o paciente como um todo, e não apenas tratar uma enfermidade. Eles chegaram a essa conclusão após escrutinar mais de 15 mil artigos científicos sobre o impacto da fé no contexto da saúde e convidar um painel independente de experts de diversas áreas da medicina e do campo da espiritualidade — católicos, protestantes, hindus, judeus, muçulmanos… e até ateus — para revisar os achados e definir consensos a respeito. Os cientistas de Harvard observaram que, de forma geral, a participação em comunidades espirituais e religiosas está vinculada a vivências mais saudáveis, maior longevidade e menor propensão a depressão, uso de drogas e suicídio. Mais: ter uma fé influencia o engajamento no autocuidado para controlar doenças e ter qualidade de vida.
Além disso, ao envelhecer, a fé pode mover o cuidado com a saúde. É o que indicam os resultados de uma pesquisa publicada no periódico Frontiers in Medicine com a participação de especialistas do Brasil, da Itália, da Argentina e da Colômbia. ___ revisão da literatura científica, foram incluídos mais de 100 trabalhos, totalizando dados de quase 80 mil idosos. ___ análise demonstrou que aqueles que tinham maior contato com práticas religiosas e espirituais apresentavam menos sintomas de ansiedade e depressão, mais sentimentos de satisfação e plenitude e um maior número de relações sociais. Acreditar em algo para além da materialidade, nesse caso, pode dar significado e propósito ___ existência e suporte face ___ uma enfermidade crônica ou mesmo à sombra da morte.
Contudo, em contextos mais ou menos adversos, o olhar para a espiritualidade depende do respeito à condição e às escolhas do indivíduo. Não é obrigatório. Tampouco comporta uma fórmula-padrão. A crença não substitui a cirurgia, a quimio, a radio ou a imunoterapia. Ela soma forças durante a jornada do paciente, caso faça sentido para ele.
Pesquisas mostram que nutrir uma espiritualidade está associado a um menor risco de ter doenças cardiovasculares sérias em função de suas repercussões positivas no controle da pressão arterial, do estresse, da ansiedade e da depressão e na adoção de hábitos saudáveis, a começar pelas menores taxas de tabagismo e consumo exagerado de álcool.
São sinônimos que poderiam substituir a palavra “escrutinar” (l. 25) no texto, mantendo a mesma relação de sentido, EXCETO: