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Dayanna Louise é uma professora de 40 anos, nascida em Carpina, no interior de Pernambuco. Mulher trans, doutoranda em educação pela Universidade Federal de Sergipe, ela é também ativista dos direitos LGBTQIAPN+ e da educação pública. Ela me fala das armadilhas do amor na vida e na educação: “Eu não me reconheci como um corpo dissidente; quem começou a me reconhecer foram os outros. Um exemplo clássico: eu sempre queria brincar com as meninas, e as pessoas diziam que era errado. Quando ia à casa da minha avó, ficava isolada porque não podia brincar com minhas primas e não queria brincar com meus primos. Na adolescência, parei de me olhar no espelho. Eu internalizava a culpa por essas violências, por esse ciclo que vinha de muito tempo”.
“Depois, teve uma virada de chave que tornou tudo mais complicado para mim, foi quando minha família começou a se aproximar de igrejas neopentecostais. Então, eu passei a ser levada para as ‘correntes de libertação’ da Igreja Universal. Lembro que eu tinha uns 11, 12 anos, e minha família me levava do interior para a capital, para a matriz da Igreja Universal no Recife. E a lógica era: ‘Olha, o que está acontecendo é que você tem um espírito dentro de você, um espírito maligno’. E aí eu comecei a acreditar naquilo”.
“Na adolescência, era mais difícil acessar outras informações, outros conceitos sobre as possibilidades de vida, então aquilo era o que chegava até mim. Eu não conseguia achar contrapontos. Eu entendo que existe um processo contraditório na relação que tenho com minha família, porque é claro que existe muita violência nessa tentativa de ‘curar’ pela fé quem eu era, mas entendo também que havia uma motivação genuína, que era o amor. Uma motivação que se realiza de maneira torta e injustificável. Era uma sessão de horror. Uma psicóloga me olhou e disse: ‘Estou aqui para descobrir o que você é e dizer aos seus pais. Mas, de antemão, se confirmar aquilo que eu suspeito, você vai mendigar amor pelo resto da sua vida. Pessoas como você não têm direito ao amor’.”.
“O amor... Se a violência é justificada pelo amor, então eu tenho que desromantizar esse amor. Não é aquele amor bíblico que tudo supera, tudo suporta e por aí vai. Estou pensando nisso agora: acho que eu tenho acreditado nesse amor cada vez menos. Porque eu senti em minha vida o quanto o amor muitas vezes é acionado para justificar o injustificável. A gente vê, por exemplo, os debates da extrema direita: é amor a Deus, amor à pátria e à família. Mas, do meu lado político, também existem problemas. Parece também que o amor sempre entra nesses debates progressistas como uma forma de higienizar a discussão, de amansar as contradições”.
“Eu venho do serviço social, e lembro que lá tem uma campanha, a única que a categoria profissional desenvolveu até hoje sobre pautas de diversidade sexual, que é: ‘O amor fala todas as línguas’. Eu pensava: ‘Gente, uma categoria que defende os direitos da classe trabalhadora, que defende os direitos humanos e justifica a promoção deles para a população LGBT, mas dizendo que o amor fala todas as línguas com um debate que é extremamente bíblico e cristão, é um absurdo!’ Eu ainda acho isso”.
Com base no trecho abaixo, retirado do texto, quantas outras alterações precisariam ser feitas para manter a correção gramatical caso a palavra sublinhada fosse flexionada na forma singular?
“As violências simbólicas podem atingir profundamente aquelas pessoas cuja identidade é negada pelas práticas familiares religiosas”.