///
Situado no miolo da América do Sul, o Pantanal é a maior planície alagada contínua do mundo. Toma boa parte do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, alcançando também uma pequena faixa do Paraguai e da Bolívia. Embora seja uma fábrica de umidade para o continente, o bioma vem sofrendo com temporadas de seca severas nos últimos anos, o que facilita a ocorrência de queimadas.
Cientistas do World Weather Attribution, organização internacional que estuda os efeitos de eventos climáticos extremos apontam que há um fator determinante para isso o aquecimento global. Com o planeta cada vez mais quente, secas extremas, como a que se vê hoje no Pantanal, estão se tornando mais recorrentes e colocam o bioma em risco. Desde janeiro de 2024, mais de 12 mil km² foram queimados. É o equivalente a 8% da área do Pantanal ou quatro vezes o perímetro da cidade de São Paulo.
Para chegar a esse número, os cientistas usaram modelos matemáticos que permitem comparar o desastre atual com um cenário hipotético, em que a temperatura do planeta fosse a mesma da era pré-industrial – ou seja, 1,2°C mais baixa do que é hoje. O cálculo considera a média histórica de chuvas, a umidade e a velocidade do vento para estimar a intensidade das queimadas, a rapidez com que se alastram e a dificuldade de extingui-las. A conclusão foi de que a principal explicação para um incêndio dessas proporções, similar ao ocorrido em 2020, é o aumento da temperatura no Pantanal e a queda da umidade.
Trata-se de uma temporada atípica de queimadas, mas não apenas pela intensidade: historicamente, o auge dos incêndios na região se dá entre agosto e setembro; dessa vez, o fogo começou em maio. A diminuição drástica no volume de chuvas este ano antecipou o problema. Quando se olha para o passado, 2024 é um ponto fora da curva, mas esse talvez seja o começo de um novo padrão no Pantanal. O grupo que estudou esse fenômeno é composto de dezoito pesquisadores de universidades e institutos meteorológicos do Brasil, Estados Unidos, Suécia, Holanda, Portugal e Reino Unido. O título do artigo já antecipa a conclusão: As condições quentes, secas e ventosas que tornaram as queimadas no Pantanal 40% mais intensas devido às mudanças climáticas.
A palavra “auge” (l. 13) pode ser substituída, sem alteração de sentido, por: