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A oliveira é uma árvore baixa com troncos retorcidos, nativa da bacia mediterrânea. É dela que sai a azeitona, que é uma drupa: fruto com uma única semente (o caroço), assim como o pêssego, a manga e a ameixa. Os humanos consomem azeitonas pelo menos 100 mil anos. Mas não era uma refeição gostosa: azeitonas cruas são superamargas. Com o tempo, nossos antepassados perceberam que, quando pressionadas, elas liberavam óleo. O suco da fruta, esse sim, era saboroso.
A prática se estendeu para outras civilizações do Mediterrâneo, e o óleo logo se tornou uma peça importante da economia da Idade do Bronze. Os egípcios compravam quantidades cavalares de azeite da ilha de Creta, na Grécia, para fazer remédios e cosméticos. O produto também servia de combustível para lamparinas e como oferenda aos deuses: a tumba do faraó Tutancâmon estava repleta da iguaria.
No Brasil, com o tempo, alguns agricultores arriscaram produzir azeite. Mas a Coroa portuguesa logo cortou o barato (e os olivais). Baixou lei: o Brasil só poderia consumir óleo de Portugal. Mesmo após a independência, a tradição se manteve: hoje, 60% das nossas importações vêm da terrinha. Já nos Estados Unidos, o azeite era considerado um produto exótico até meados do século 20. Mas tudo mudou quando os americanos descobriram algo que os povos mediterrâneos já sabiam intuitivamente há milênios: que o óleo faz bem saúde.
Nos anos 1950, o fisiologista Ancel Keys queria entender por que americanos com altos salários, que supostamente teriam acesso a uma alimentação melhor, tinham mais doenças cardíacas em comparação a populações europeias pobres e com uma dieta rica em gordura. Keys estudou povoados na Grécia e no sul da Itália (uma região que, até hoje, tem uma das maiores expectativas de vida do mundo). E formulou a seguinte hipótese: de que o cardápio local, composto por vegetais, oleaginosas e, claro, azeite, estaria associado a um risco menor de problemas cardiovasculares.
Assim como outros óleos vegetais, o azeite é composto majoritariamente de gordura insaturada. Carnes e manteiga, por sua vez, têm gordura saturada. A diferença está no número de moléculas de hidrogênio ligadas às de carbono. Na saturada, os átomos estão lotados (saturados) de hidrogênio. Na outra, há menos conexões desse tipo. Essa diferença estrutural faz com que as gorduras saturadas sejam sólidas em temperatura ambiente; as insaturadas, líquidas. As saturadas aumentam os níveis de LDL, o colesterol que obstrui as artérias. Já as insaturadas sobem as taxas de HDL, o colesterol que as desentope. Por isso, o alto consumo do azeite (mais de sete gramas por dia) está associado a riscos mais baixos de câncer, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.
Então, já sabemos que o azeite é um aliado da saúde e é bom incluí-lo à mesa; entretanto, o produto sofreu uma alta de preço bastante importante que ameaça essa boa prática. Qual a explicação para essa alta? Uma delas é a escassez. Hoje, a produção mundial fica em torno de três milhões de toneladas por ano. Contudo, em 2023, a produção mundial foi quase 20% menor em relação a 2022. Na Espanha, principal produtora, uma seca prolongada fez com que a safra caísse pela metade. As altas temperaturas também tornaram as oliveiras mais suscetíveis a pragas. Na Itália, segunda maior produtora, uma bactéria transmitida por insetos matou 21 milhões dessas árvores.
Em 2023, o preço global do azeite subiu 95%, de acordo com o Fed (o banco central dos EUA). No Brasil, que importa 99,5% do azeite que consome, o preço nas prateleiras cresceu um pouco menos no mesmo intervalo, mas ainda assim incômodos 37,1%. E a alta segue sem freio. Nos últimos 12 meses até janeiro de 2024, informa o IBGE, já são 41,6%. A crise é o capítulo mais recente da saga milenar do azeite, um produto que serviu como alimento, moeda de troca e remédio milagroso para diversas civilizações ao longo da história.
Considerando a frase “A crise é o capítulo mais recente da saga milenar do azeite, um produto que serviu como alimento, moeda de troca e remédio milagroso para diversas civilizações ao longo da história”, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, a classificação morfológica das palavras destacadas.